
O 7 de Setembro é um dos principais feriados nacionais do Brasil e marca a Independência do país, proclamada em 1822. Mas a história por trás do famoso “grito do Ipiranga” é bem mais complexa do que a cena eternizada nos livros escolares.
Neste 7 de setembro, Dia da Independência do Brasil, além dos tradicionais desfiles e cerimônias cívicas, vale conhecer algumas curiosidades sobre o processo que levou à separação política entre Brasil e Portugal.
A Independência não aconteceu simplesmente em um único momento. O episódio protagonizado por Dom Pedro às margens do riacho Ipiranga tornou-se o grande símbolo da data, mas fazia parte de um processo político que vinha se desenvolvendo havia meses — e cujos conflitos continuariam depois daquele dia.
1. Dom Pedro estava voltando de Santos
Em 7 de setembro de 1822, Dom Pedro viajava de Santos para São Paulo quando recebeu correspondências com notícias e orientações relacionadas à crescente crise com Portugal.
Foi durante esse percurso, nas proximidades do riacho Ipiranga, que teria ocorrido a declaração que posteriormente se transformaria no símbolo da Independência do Brasil.
2. O famoso quadro foi pintado décadas depois
Uma das imagens mais conhecidas da história brasileira é a pintura “Independência ou Morte”, de Pedro Américo.
Mas há uma curiosidade: o quadro foi concluído em 1888, cerca de 66 anos depois da Independência.
Portanto, a obra não deve ser entendida como um registro fotográfico daquele momento. Trata-se de uma representação artística construída muito tempo depois do acontecimento.
3. A cena provavelmente foi menos cinematográfica
A representação tradicional mostra Dom Pedro montado em um imponente cavalo e acompanhado por uma comitiva em uma cena grandiosa.
A realidade de uma viagem entre Santos e São Paulo no início do século XIX era bastante diferente. Pesquisadores destacam que mulas eram animais muito mais apropriados para enfrentar os difíceis caminhos da Serra do Mar.
Isso ajuda a explicar por que a imagem consagrada pelo quadro de Pedro Américo possui elementos de idealização histórica.
4. A Independência não começou — nem terminou — em 7 de setembro
O 7 de Setembro tornou-se o grande marco simbólico, mas a ruptura com Portugal foi resultado de uma sequência de acontecimentos.
Um dos episódios fundamentais ocorreu em 9 de janeiro de 1822, no chamado Dia do Fico, quando Dom Pedro anunciou que permaneceria no Brasil apesar das pressões das Cortes portuguesas para que retornasse à Europa.
E mesmo depois de setembro houve resistência portuguesa em diferentes regiões do território brasileiro.
5. Dom Pedro ainda não era imperador naquele dia
Quando ocorreu o episódio do Ipiranga, Dom Pedro ainda era príncipe regente.
Sua aclamação como imperador aconteceu posteriormente, em 12 de outubro de 1822. A coroação de Dom Pedro I ocorreu em 1º de dezembro daquele ano.
Assim nasceu o Império do Brasil, regime que permaneceria até a Proclamação da República, em 1889.
6. Portugal não reconheceu imediatamente a Independência
A declaração de 1822 não significou reconhecimento automático por parte do governo português.
Portugal reconheceu oficialmente a independência brasileira somente em 1825, por meio de um tratado firmado entre os dois países.
Ou seja: passaram-se aproximadamente três anos entre o episódio do Ipiranga e o reconhecimento português.
7. Houve guerras pela Independência
Outro aspecto muitas vezes deixado em segundo plano é que a separação de Portugal não ocorreu pacificamente em todo o território.
Forças favoráveis à independência e tropas portuguesas entraram em confronto principalmente em áreas como Bahia, Maranhão e Pará.
Na Bahia, a expulsão definitiva das tropas portuguesas ocorreu em 2 de julho de 1823, data que até hoje possui enorme importância histórica para o estado.
8. Maria Leopoldina teve papel importante
A participação de Maria Leopoldina, esposa de Dom Pedro, é outro ponto fundamental para compreender o processo de Independência.
Enquanto Dom Pedro estava em viagem, Leopoldina presidiu uma reunião do Conselho de Estado em 2 de setembro de 1822. Ela apoiava a ruptura política com Portugal e enviou correspondência ao marido diante do agravamento da situação.
Seu papel político no processo ganhou maior destaque na historiografia contemporânea.
9. O Brasil continuou sendo uma monarquia
Ao contrário de diversas antigas colônias das Américas que se transformaram em repúblicas após a independência, o Brasil tornou-se uma monarquia constitucional.
Dom Pedro I foi o primeiro imperador. Posteriormente, Dom Pedro II assumiria o trono, e a monarquia brasileira duraria até 15 de novembro de 1889.
10. O 7 de Setembro virou feriado nacional
Atualmente, 7 de setembro é feriado nacional e a data oficial da Independência do Brasil.
Em diversas cidades brasileiras são realizados desfiles cívicos, apresentações militares, solenidades e atividades de escolas e instituições públicas.
Mais de dois séculos depois de 1822, a data continua sendo uma oportunidade não apenas para lembrar o famoso “Independência ou Morte”, mas também para compreender que a formação do Brasil independente foi resultado de um processo político, social e militar muito mais amplo do que um único grito às margens do Ipiranga.
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