A corajosa mulher que rompeu com um relacionamento abusivo

Hoje ela está livre/Pixabay

Joana (nome fictício) é uma amiga querida de 20 anos. Outro dia procurou a reportagem para abriu seu coração e contar que havia se separado do marido porque era vítima do chamado relacionamento abusivo.

Ela contou que não aguentou, pelo menos dez anos vivendo sob algo que a incomodava muito. “Eu era a culpada sempre e ele sempre era o piedoso e dizia que eu tinha sorte de me suportar, aquilo entrava em minha cabeça de uma forma que me destruía”, disse.

Outra coisa que incomodava muito Joana era quando o casal tinha algum problema, por exemplo, financeiro, cena tão comum nos dias atuais deste Brasil pandêmico e de economia destruída. “O cara vivia falando que a culpa de todos os problemas de falta de dinheiro era minha porque eu gastava demais, sendo que trabalhava tanto quanto ele e as vezes até um pouco mais, aquilo começou a me sufocar, só eu gastava?”, contou.

Uma espécie de ciúme obsessivo também tomou conta da relação, Joana disse que podia andar com o marido e com mais ninguém. Não podia sequer tomar um café com as amigas, nem falar “oi” para um querido conhecido na rua. “A cara dele mudava, me tratava mal, até na frente dos outros, depois ainda por cima ficava falando para eu não dar bola para esse pessoal, por algum tempo, acredito que estava muito acuada, acabei obedecendo, mas reuni forças para sair disso e recomendo que a mulher que se sentir assim faça o mesmo também, nunca sofri violência física, mas o problema mental era grande”, argumenta.

Uma outra face do relacionamento abusivo que Joana estava vivendo era o marido querer suas senhas a todo momento de suas redes sociais, pedir para fiscalizar tudo. “Nunca escondi nada, meu celular nem senha tida, mantinha um Instagram com fotos de minhas plantas, pois tenho esse hobby, mas ele queria o controle, chegou até a dizer que meus amigos, homens e mulheres não prestavam e que tínhamos que nos mudar para outra cidade ou bem longe do bairro onde cresci”, contou.

Joana ficou deprimida, ela não tem filhos, mas disse que pensa em se relacionar com outra pessoa e ser mãe, mas que isso vai esperar um pouco. A depressão de Joana foi tratada com uma psicóloga que lhe deu todo o apoio e também indicou caminhos. “Eu comecei a fazer a análise e a notar que estava acuada, destruída e na primeira vez que questionei veio um desentendimento, ele não imaginava que eu teria forças para romper, mas rompi, hoje faço esporte, e depois da pandemia vou encontrar pessoalmente cada um dos meus amigos, apesar de já fazer isso virtualmente”, diz.

As marcas? Joana acha que ficarão para sempre, mas que agora ela sabe da sua importância, do lugar dos seus amigos e que uma relação é acima de tudo compartilhar experiências e dividir coisas boas, que a cumplicidade vem de uma forma intensa sem que nenhum invada o espaço do outro. “Eu me libertei e aconselho que as mulheres façam o mesmo, tive muita ajuda, inclusive de queridos amigos homens e minhas amigas mulheres, anjos todos em minha vida, nós somos importantes, somos seres humanos”, finaliza.

 

Por Renato Chimirri

Imagem de Capri23auto por Pixabay