A COVID transformou as redes sociais em um local de despedidas e de fotos antigas

Olhar as redes sociais das pessoas de São Carlos ou de qualquer outro lugar neste momento de pandemia é uma experiência triste. Primeiro porque Facebook, Instagram, Twitter e outras redes se transformaram num local de despedidas.

Todos os dias vemos amigos serem derrotados pelo maldito vírus e por isso participamos de despedidas virtuais. Temos sempre alguém enaltecendo as virtudes de uma pessoa que padeceu pela COVID-19 ou nós mesmos fazemos um tributo para alguém que morreu nessa pandemia. Ao longo da minha trajetória na imprensa, são pelo menos 26 anos de trabalho ininterrupto, eu nunca tinha observado nada parecido com essa situação.

Ontem, vi um amigo se despedindo de um companheiro motoboy. Uma pessoa que já veio em minha casa fazer entrega (o rosto não me era estranho). Quando vemos isso, instintivamente, acabamos entrando nas redes sociais da pessoa que partiu e é neste momento que sentimos o mundo acabar, a dor toma conta da gente, justamente porque vemos que uma vida se foi abruptamente por causa da pandemia de COVID-19. Nas redes deste jovem, vi sua família, suas filhas, o amor que nutria por todos e confesso que chorei bastante, fiquei emocionado, vi as pessoas se despedindo com muita dor, porque ali era alguém muito amado que o vírus levou embora.

Nesta semana também notei que uma amiga das minhas redes, uma pessoa extremamente gentil, de boa índole, honesta e trabalhadora, pedia preces para o seu marido que precisou ser hospitalizado pela COVID-19. Ela escreveu textualmente: “Estou com muito medo!” Quando li essa frase senti o frio na espinha, a dor, o medo de se perder o ente querido e novamente percebi que a pandemia não é uma brincadeira qualquer, é séria e grave e está devastando famílias que ficam menores com as mortes precoces.

Outra coisa que me incomoda bastante é olhar as imagens de agora e as de antes da pandemia. Vi essa semana o perfil de uma pessoa muita conhecida em São Carlos por participar de muitos eventos, pois é muito requisitada na área por sua expertise na organização. Linda como sempre nas fotos antes da pandemia, rodeada de amigos, mesas bonitas, pessoas conversando, trocando experiências e ambientes agradáveis, coisa que antes para nós eram até chatas e comuns, hoje se tornaram nostálgicas e também um desejo para o futuro. As fotos de hoje dessa pessoa são tristes, sozinhas, sem ninguém, quando muito um sorriso discreto.

Vi também o perfil de uma jovem amiga que trabalha no comércio. Antes, todos os dias, as fotos em sua loja, chamando o pessoal para conhecer as ofertas, a loja lotada, porque vende coisas interessantes, porém durante este tempo de fechamento, apenas reflexões, algumas orações, desabafos, suas redes se entristeceram em virtude do Coronavírus.

A pandemia de COVID-19 destruiu famílias, mata pessoas diariamente, no Brasil sofremos por causa de um Governo Federal incompetente que não comprou vacinas no tempo certo e agora observamos tudo abrir novamente às vésperas do dia das mães porque os pobres comerciantes e seus funcionários não aguentam mais o fechamento, estão destruídos.

Olhar as redes sociais nos dias de hoje nos dá a nítida impressão de que estamos em um velório virtual, a morte tem cercado este locais e isso tem acabado com a nossa saúde mental, o emocional de muita gente está zerado e nós não sabemos mais como agir, como animar ou como ser alternativa.

A única coisa que podemos pedir é que as pessoas permaneçam, na medida do possível, firmes nessa quase profissão de fé de que a pandemia passará. Precisamos que todos, os que restaram, acreditem no amanhã melhor para que nossos filhos possam ver uma sociedade normal no futuro. É isso que mais precisamos neste momento. A situação é bastante complicada.

Renato Chimirri

Imagem de Jenny Friedrichs por Pixabay