A CPI pode derrubar o governo municipal, mas também pode ser o verdugo dos seus proponentes

Plenário da Casa de Leis

Um observador da cena política vaticinou há tempos: CPI você sabe como começa, mas nunca sabe como termina. As palavras são sabias e São Carlos está prestes a ver mais uma CPI se instalando na Câmara Municipal.

Agora, a comissão que terá Paraná Filho como presidente, Marquinho Amaral como relator, Djalma Nery, Lucão e professora Neusa como membros e investigará supostas interferências do Alto Escalão da Prefeitura em contratos da empresas com o município.

O assunto é polêmico e tem tomado conta do noticiário nos últimos dias. Há ataques por todos os lados, daqueles que são a favor da investigação e também dos que são contrários. As redes sociais, especialmente o WhatsApp se transformaram numa peça de guerra entre diversas pessoas, tudo por conta da instabilidade política criada.

Os vereadores querem chamar a Primeira-dama para depor, a médica Rosária Mazzini recentemente falou em entrevista à imprensa que aguarda o convite e promete revelações e com isso se criou ainda mais instabilidade no combalido cenário político municipal. Eles não se entendem e a investigação da CPI pode ser o carrasco para uma das partes.

Primeiro, quem propôs a investigação precisa estar convicto de que irregularidades possam ter ocorrido e a CPI procurará encontrar elementos sobre o tema em questão. Houve ou não houve interferência do Alto Escalão? As investigações é que devem demonstrar.

Por outro lado, as pessoas que estão na Prefeitura terão o papel de evidenciar que tudo caminha dentro da legalidade e assim o embate está formado. Suponhamos que irregularidades apareçam: se isso se comprovar, o governo Airton Garcia acabará e Edson Ferraz será prefeito, certo? Tudo caminha para isso neste primeiro cenário. Entretanto, e se as irregularidades não aparecerem? O que acontecerá com os propositores da CPI? Eles já pensaram que um naufrágio da investigação representará um fortalecimento político sem precedentes de quem hoje está no Paço Municipal? Ora senhores, não há amadores em política, portanto se o passa dado for em falso, a parte que andou mais do que a perna podia pode se retirar do cenário político, pois não haverá mais espaço para novas caminhadas.

Com esse quadro instável, quem tem sofrido bastante é a cidade. As brigas atrasam projetos de desenvolvimento e fazem com que um secretariado, que já tem um nível abaixo do esperado, tenha um desenvolvimento fraco. Não há projeto que norteie São Carlos sendo colocado em andamento neste momento da história, todos parecem interessados apenas em brigar por questões que julgam pertinentes. Será que esse pessoal sabe como andam os postos de saúde ou a falta de água em vários bairros?

São Carlos merece mais, porém fica o alerta à estas pessoas que hoje estão se engalfinhando: vocês pavimentam o caminho para novas e antigas lideranças. Nunca foi tão fácil sonhar com a Prefeitura.

Renato Chimirri