A dor das famílias dos mortos em Suzano é nossa também

Tiroteio na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano, a 57 quilômetros de São Paulo, deixou mortos e feridos. Segundo a Polícia Militar, dois jovens armados e encapuzados invadiram o colégio e disparam contra os alunos.

Nunca irá passar a dor pelo que vimos em Suzano no dia de ontem, 13. Quis o destino que essa tragédia jogasse luz sobre o debate que precisa ser travado no Brasil: o papel da escola na vida das crianças e das famílias. É na escola, bem aparelhada, com professores capacitados e com remuneração respeitável que poderemos formar pessoas capazes para os desafios que a era da tecnologia nos impõe.

Mas é também na escola que professores estão apanhando, que as drogas entram com facilidade e que como disse o profissional que entrevistamos: o acesso é fácil e pode a qualquer momento ser facilitador para outra tragédia.

É mais do que claro que a escola deveria ser sagrada, como disse ontem, um lugar tão respeitado como uma igreja, pois é neste ambiente que poderemos formar quem nos liderará no futuro, mas infelizmente o que vemos são apenas bravatas, ineficiência e desmazelo por parte das autoridades com relação a educação.

Uma boa educação escolar reflete diretamente na família, muitos acham que educação se dá em casa, essa é uma meia-verdade. Educação se faz em casa, na escola, no clube e até nas baladas. Educação se faz em qualquer lugar e a escola deve ser referência, o local onde as pessoas se juntam para buscar o melhor de cada ser humano.

Não é preciso dizer que valorizar um professor é o melhor caminho para educar bem, não é? Isso é chover no molhado, mas o que vemos são professores desmotivados, com doenças funcionais e muitos abandonando a carreira por medo, porque apanham na classe. A violência venceu e não por culpa apenas do vídeo game como alguns andam falando, ela ganhou porque  ocupou o espaço que deveria ser da escola e do Estado.

É o governo que precisa entrar nas comunidades, nos rincões mais afastados do Brasil para mostrar que tem carinho pelo povo, dando acesso a informação, educação, saúde e saneamento básico, direitos constitucionais, diga-se de passagem.

Recentemente, vi uma reportagem no site Razões para Acreditar em que uma menina de 14 anos ensina seus amigos a ler e escrever numa sala improvisada no meio da favela, aqui se cumpre aquele ditado: a educação é o maior ato de rebeldia que uma pessoa pode ter.

O massacre em Suzano é deplorável pelo ato em si, pelas pessoas que foram brutalmente massacradas e também porque é nítido que falhamos enquanto sociedade, que deixamos de acreditar no potencial humano e nos transformamos apenas em propagadores de ódio ao semelhante.

Do jeito que está hoje, fatalmente o Brasil será um país de novas tragédias futuras. É com dor no coração que escrevo isso, mas em minha opinião, parece algo inevitável atualmente.

Renato Chimirri

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil