A eleição mais chata da história de São Carlos

Essa foi a eleição mais chata de todos os tempos, a pandemia de COVID-19 devastou o que existia de interessante e havia sobrado dos pleitos passados que era o corpo a corpo entre os candidatos e os eleitores. A campanha foi realizada na base da máscara e do álcool gel, até um Papa Móvel para o candidato Airton Garcia foi estilizado e assim ele pode percorrer as ruas. Talvez essa tenha sido a única novidade.

Porém, os candidatos fizeram uma campanha medíocre, a maior emissora da cidade que é afilhada a Rede Globo não fez debate, ao passo que a Band/Clube fez um debate e cumpriu seu papel. Contudo, a troca de ideias é amarrada, precisamos flexibilizar o debate entre os candidatos para que o embate entre eles ocorra. Não queremos briga, mas sim que eles se enfrentem e mostrem suas propostas para os eleitores.

O debate político em São Carlos anda pobre, as propostas que apareceram na eleição foram apenas o mais do mesmo, ninguém inovou em nada, vimos apenas o discurso da anti-política novamente surgir com aquela fala manjada no horário eleitoral: “Eu não sou político!”

Ora senhores, se os candidatos vão ao horário eleitoral e se colocam à disposição da população, por certo, são políticos e não padres.

O fato é que na eleição de São Carlos ninguém tocou o dedo na ferida, não demonstrou de onde iria tirar as soluções para a cidade e isso ficou escancarado na campanha política. Os eleitores não foram marcados pelas propostas de cada postulante ao cargo de prefeito.

Acho que é o momento de repensarmos as campanhas e também o modo como elas são feitas. Senão, nossa democracia adoecerá cada vez e dará espaço para aberrações políticas que pretendem cativar eleitores com gritos, preconceitos e frases de efeito. O povo não precisa disso.

Renato Chimirri

Foto: Maurício Duch