A escola Juliano Neto pensa no presente e no futuro dos seus alunos

Alunos da escola Juliano Neto em São Carlos

Um dia desses chegou uma mensagem em meu celular da professora Nathalia que se identificou como da escola Juliano Neto de São Carlos. O motivo do contato era o seguinte: fazer uma breve palestra para alunos de uma atividade da escola. A pauta era contar um pouco sobre como é a vida da imprensa, o cotidiano, o trabalho e tirar algumas eventuais dúvidas.

No começo, pensei que não levaria jeito para fazer naquele momento, mas depois aceitei a tarefa e lá estivemos na manhã desta segunda, 28.

Há tempos não entrava em uma escola do Estado e fiquei muito feliz com o que vi naquele momento. O Juliano Neto, escola das mais tradicionais da rede estadual, dentro de suas possibilidades tem um prédio bem cuidado, limpo e o mais importante: há vida ali. Logo que a professora Nathalia me recebeu entrei naquele “turbilhão” que é uma escola. Alunos falando alto, muita conversa, gente indo e voltando, trombei com uma jovem na escada e fui subindo até a cozinha onde tomei café. O ambiente é aquele que conhecemos e amamos, é bom estar numa escola, sentir a presença de professores, direção por meio da professora Regina Helena Corsi, outros funcionários da organização, gente muito educada e cordata. Apesar de não se adepto da filosofia positivista, a única comparação possível neste momento para definir o que vi no Juliano hoje é uma escola como se fosse um “organismo vivo”. Portanto, se ela está viva, fica fácil ensinar e trocar experiências com seus alunos e também com a comunidade que a cerca.

Na palestra com os jovens que preferi chamar de conversa apenas contei um pouco da minha vida na imprensa que começou aos meus 16 anos, hoje já estou com 45, portanto faz um certo tempo que caminho nessa área. Falei da faculdade, contei de alguns locais por onde passei, também de matérias que fiz, mas preferi tentar dizer aos alunos que eles são importantes e que são fundamentais para combater notícias falsas, as chamadas fake News. Pedi encarecidamente  a eles que ajudem os mais velhos, desmentindo as mentiras que hoje se proliferam pelo WhatsApp e tentei de uma forma sucinta mostrar a diferença entre uma notícia e uma opinião, sendo que as duas tem valor.

Fui questionado muito pelas professoras que estavam presentes, a plateia estava tímida, mas isso é normal, porém pude ver que muitos, a maioria, ouviu atentamente o que se tinha para falar. Uns poucos ficaram com celular, ouvindo algo que não sei bem o que era, porém o mais interessante foi um jovem que começou com um fone e depois tirou e prestou atenção no papo. Isso foi algo generoso da parte dele.

Também me recordo de uma jovem no meio da sala, agitada, mas que prestava atenção a tudo e de uma outra com olhos verdes bem vivos e que sentou em minha frente e que ouviu atentamente tudo aquilo que eu falei durante o período em que conversei com eles. O resultado que vi da palestra no Juliano foi esse: vale sempre a pena conversar, especialmente quando temos uma maioria interessada em ouvir e tirar alguma experiência do que pode ser conviver com o diferente.

Uma escola com essas atividades e da rede estadual orgulha qualquer pessoa, seja ela jornalista ou mero cidadão. Foi divertido e ainda pude aprender bastante com as pessoas com quem convivi nesta manhã.

Há esperança, basta apenas que cultivemos o espírito desafiador nestes jovens. Eles não são o futuro, eles são o presente e que bom que é assim.

Renato Chimirri