A importância de não ser um pai ausente

Ser pai vai muito além da assinatura na certidão de nascimento. Vai além do pagamento de pensão ou da lembrança no Dia dos Pais. Ser pai é presença, é afeto, é compromisso contínuo com a formação de um ser humano. Mesmo que o relacionamento com a mãe da criança tenha terminado, a responsabilidade de ser pai não tem prazo de validade — ela é para a vida toda.

Infelizmente, ainda é comum a ideia de que, ao fim de um relacionamento conjugal, encerra-se também a função paterna. Muitos homens se afastam, colocam novas prioridades em primeiro plano e delegam à mãe todas as funções da criação. Isso não é apenas injusto, é cruel. Uma criança não entende de separações amorosas, mas entende quando é deixada de lado. E isso deixa marcas.

A figura paterna tem papel fundamental no desenvolvimento emocional, psicológico e social de uma criança. O pai presente é aquele que participa das conquistas e dos tropeços, que ensina pelo exemplo, que apoia nas dúvidas e que oferece segurança. Sua presença é uma forma poderosa de amor que ajuda a construir autoestima, confiança e senso de pertencimento.

Separação não deve ser sinônimo de abandono. Ao contrário: é justamente nesse momento que o homem deve reafirmar seu papel como pai. Continuar sendo presença, mesmo fora do convívio diário, é possível. Isso inclui visitas regulares, ligações, interesse genuíno pela vida escolar e afetiva da criança, momentos de lazer e diálogo aberto.

É preciso romper com a herança cultural do “pai ausente” como algo normalizado. A responsabilidade com os filhos é inegociável. E ser pai é, sim, uma escolha diária — não uma condição limitada ao vínculo com a mãe. A criança precisa de referência, de amor, de cuidado e de acompanhamento constante. Precisa saber que pode contar com o pai, não importa o que tenha acontecido entre os adultos.

Pais presentes constroem adultos mais saudáveis, mais equilibrados e mais preparados para o mundo. Pais ausentes deixam buracos difíceis de preencher.

Portanto, se a relação amorosa acabou, que fique claro: o papel de pai continua. E desempenhá-lo com responsabilidade, presença e afeto é uma das maiores demonstrações de maturidade, amor e respeito — não apenas pela criança, mas pela própria humanidade.