A imprensa de São Carlos chora suas vítimas da COVID-19

Eduardo e Augusto: Amigos que se foram durante a pandemia

A imprensa de São Carlos foi abalada há poucos dias pela morte do radialista Augusto Netto. Querido por todos, Augusto estava atuando naquele momento na Rádio Encanto do Planalto na vizinha cidade de Ibaté. Sua morte por complicações da COVID-19 deixou uma lacuna irreparável para a comunicação, pois ele era um profissional capacitado e como gostamos de falar no meio: “das antigas”. Um cara que teve uma vida sindical importante e que passou por diversas emissoras deixando sua voz de veludo sempre a serviço do rádio.

Esse repórter foi um dos que pediu uma vaga de UTI para Augusto Netto que sofria com a COVID-19 em Ibaté. Através do sistema CROSS a vaga chegou, porém a vida de Augusto não pode ser salva. Ele faleceu, deixou sua esposa, familiares e uma vida pela frente, apenas 51 anos e toda uma trajetória que ainda precisava ser preenchida, porém acabou abreviada pela “peste do século XXI”, a COVID-19.

O vírus é implacável, vem devastando famílias e terminando amizades e hoje, dia 8, acabamos surpreendidos com triste notícia do falecimento do radialista Eduardo Precaro, 50 anos, um a menos que Augusto Netto também por complicações da COVID. Eduardo deixa a esposa, mãe e dois filhos, uma família desfeita nessa pandemia que parece que não ter fim.

A morte de Eduardo representa para a imprensa local a perda do mais competente produtor de plásticas para emissoras de rádio de São Carlos, da região e um dos melhores do Brasil, inclusive com trabalhos reconhecidos no exterior. Como costumamos dizer nessa atividade, o “Eduardo era do ramo” e realmente era. Sabia como ninguém o que era preciso fazer para manter o “coração de uma emissora” saudável e fazer com que ela sempre parecesse jovem, dinâmica e atrativa para o ouvinte. A partida repentina de Eduardo, assim como foi a do Augusto, consiste numa derrota gigantesca para nossa categoria, estamos mais pobres, mais incultos e menos felizes.

A imprensa, que vem sendo achincalhada por quem defende esse governo ridículo, que recusa a compra de vacinas, mas faz torneio de futebol em momento pandêmico com quase 500 mil mortes, tem feito seu trabalho que é o de mostrar o que está acontecendo. Se as notícias que estamos vendo não são boas é porque o noticiário tem sido alimentado com isso.

O momento em São Carlos, especialmente, quando passamos da marca de 370 mortes desde o início da pandemia é de muita tristeza, de falta de esperança, de despreparo do poder público, da falta de vacinas para todas as pessoas e com um horizonte bastante nebuloso e que demorará a clarear.

O que se pede neste momento é que todos que são da imprensa continuem cumprindo seu papel e façam em nome do Augusto, do Eduardo e de outros profissionais que se foram devido à essa pandemia. Será nosso dever levar a informação da melhor forma possível para os nossos leitores, ouvintes e telespectadores. O momento é muito triste, mas ainda temos um compromisso com a população que certamente tanto o Augusto como o Eduardo, gostariam que cumpríssemos com galhardia. Mãos à obra!

Renato Chimirri