A jovem que perdeu a mãe e o pai para o câncer

Esperança é importante

Em dois anos Mariana soube o tamanho do poder devastador do câncer. “É uma doença terrível e que faz vítimas, apenas isso, é uma dor que não tem cura”, conta.

Em 2018 ela perdeu sua mãe para esse terrível mal e hoje reuniu coragem para falar sobre sua história de vida. “Minha mãe, Natália, teve um câncer cerebral”, disse.

“Ela teve frequentes dores de cabeça, tomava analgésicos, aquilo cortava, mas depois voltava, foi quando começou haver uma desconfiança do que seriam essas dores”, recorda.

Mariana recorda que sua mãe procurou um especialista no assunto e uma bateria de exames pelo corpo começou a ser realizada. “Fizeram exame de tudo e foi um exame avançado de imagem na cabeça que mostrou a existência de um câncer e que estava num estágio complicado, mantivemos a fé, a esperança, fizemos muitos tratamentos, mas em pouco mais de um ano vi minha mãe definhar para uma doença que é inexplicável”, admite.

A mãe de Mariana foi desenganada pelos médicos e sabia que não tinha mais chances de sobreviver, o que, sem dúvida, fez muito mal para a sua família. “Não vivíamos, apenas existíamos e ver minha mãe ir embora foi muito doloroso, até que numa manhã de maio ela se foi de uma forma até serena, pois estava sedada, aquilo nunca sairá da minha mente”, recorda.

Mas dizem que cada que um cada precisa levar sua cruz e Mariana tem a dela. Nessa semana, seu pai, Antonio, também morreu por câncer. “Ele teve um câncer no pulmão e padeceu desse terrível mal, meu genitor era um professor, amava ensinar, gostava dos alunos, mas não suportou a doença”, destacou.

Mariana enfatizou que a descoberta também se deu em exames de rotina que seu pai fez. “Todo o cenário era muito parecido com o que ocorreu com a minha mãe, exames e o câncer surgiu, tratou, mas não deu certo, meu pai era uma boa pessoa, mas sofreu muito”, disse.

A jovem diz que seu pai antes de entrar na fase final sempre recordava o caso de sua mãe e dizia que a jovem precisa ter muito força para poder continuar na luta. “Meu pai nunca reclamou de nada, ao contrário, sempre me deu força, ele percebeu que eu estava exaurida pelo que ocorreu com minha mãe e agora com ele, mas nunca deixou a peteca cair, mas ele faleceu segurando a minha mão e eu fico perguntando: por que há o câncer no mundo, não é?”, pergunta com lágrimas nos olhos.

Mais calma, Mariana pede que as pessoas mantenham o foco, uma dieta saudável, façam exercícios, passem por avaliações frequentes no médico. “O precoce diagnóstico ajuda muito a enfrentar, na minha família não deu certo, mas é o procedimentos que deve ser feito com todo mundo, eu rogo a Deus e peço luz aos cientistas, pesquisadores, para que eles um dia consigam descobrir como poderemos evitar que essa doença surja novamente em outras pessoas, pois a dor que ela deixa é algo inexplicável”, diz.

Mariana afirmou que passará uns meses na zona rural onde sua família tem uma propriedade para poder colocar as ideias em ordem. “Não estou de mal com a vida, mas reflexiva, quero apenas ficar no meu canto com meus dois cachorros, terminar minha pós-graduação e iniciar uma nova fase, espero que sem a pandemia de COVID-19, outra coisa que vem devastando as famílias, desejo sorte a todos!”

A jovem aceitou dar seu depoimento desde que os respectivos sobrenomes de sua família não fossem divulgados.

Renato Chimirri

Imagem de Daniel Reche por Pixabay