A morte do número oito

Um oito desenhado em um papel. Isto é o suficiente para dizer tudo sobre tudo. Parece ser um simples número representando 8 unidades, mas a profundidade que sua forma oculta em um número finito é de dimensões incomensuráveis.

Parece estranho, mas certos elementos parecem ter mais significado do que imaginamos. Como um simples número pode abarcar tudo que conhecemos? Simplesmente morrendo. Sim, exatamente isso. Assim, ele pode abrir a porta para o infinito. O oito quando morre, isto é, quando fica deitado, se torna infinito.

A matemática conseguiu descrever o infinito ou “oito morto”. A Leminiscata de Bernoulli é uma expressão matemática (ou curva algébrica, no jargão matemático) que descreve esse formato, descrita pela primeira vez pelo matemático suíço Jacob Bernoulli (1654-1705) em 1964. Para batizá-la, Bernoulli chamou a curva de lemniscus que em latim significa “faixa suspensa”.

Literalmente, o símbolo do infinito transpassa a sensação de leveza, como algo que flutua. Que não se prende a nada, apenas a si próprio, sendo o início e o fim. Mas como pode o infinito acabar em si próprio? O caráter cíclico dos fenômenos é algo infinito e que se repete elegantemente sem parecer repetir, como uma obra de arte que se termina em si mesmo e ainda apresenta uma beleza incomensurável.

Exemplos práticos desses fenômenos de repetição infinita são os fractais, formas geométricas que se repetem ao aumentar e reduzir a sua escala. Essas repetições geométricas também estão presentes na Natureza abundantemente.

 

 

O ouroboros é um símbolo representado por um dragão ou uma serpente mordendo a própria cauda, simbolizando o ciclo da evolução tornando sobre si mesma. Tudo parece voltar para nós e tudo parece repetir. Parece até paradoxal dizer que o infinito se repete por ser sem tamanho. Fica a pergunta: até onde o infinito vai sem se repetir? Segredos que ainda não foram revelados.

Desta forma, pode se concluir que existe uma conspiração oculta do oito com o infinito. Tudo depende do ponto de vista. As coisas podem ser finitas ou ser infinitas. Quando se acha que algo acabou, tem-se a porta para um infinito. O começo é o fim e o fim, o começo.  Escondida no obituário de um número, diante da momentaneidade humana, jaz a imensidão do Universo.

Por Sara Oliveira de Carvalho Loss

São Carlos – SP, 14 de setembro de 2019

Fonte figuras

Figura 1: https://static.significados.com.br/foto/infinity_sm.jpg

Figura 2: https://i1.wp.com/astropt.org/blog/wp-content/uploads/2013/07/Mandel_zoom_08_satellite_antenna.jpg

Figura 3: https://imagens.mdig.com.br/natureza/fractais_natureza_03.jpg

Figura 4: https://imagens.mdig.com.br/natureza/fractais_natureza_04.jpg

Figura 5: https://simbolismo.net/wp-content/uploads/2018/04/Ouroboros-maconaria.jpg