A mulher atacada em seu próprio quarto

Lara sempre foi uma jovem tranquila, de hábitos simples e rotina previsível. Estudava durante o dia, trabalhava à tarde e, à noite, gostava de ler antes de dormir. Seu quarto era seu refúgio, um espaço aconchegante com paredes cor de areia, uma estante cheia de livros e uma janela que dava para um pequeno jardim. Tudo ali era familiar, seguro. Até aquela noite.

Era uma madrugada fria de outono quando Lara acordou subitamente, sem saber o motivo. Seu corpo estava pesado, como se uma força invisível a prendesse ao colchão. Ela tentou se mover, mas não conseguiu. Suas pernas, seus braços, até seus dedos pareciam estar presos por correntes invisíveis. Seus olhos, no entanto, estavam abertos, e ela conseguia ver o quarto iluminado pela fraca luz da lua que entrava pela janela.

Foi então que ela percebeu: algo estava errado. No canto do quarto, perto da estante, uma figura escura se movia. Era alta, magra, com contornos indistintos, como se fosse feita de fumaça. A figura não tinha rosto, mas Lara sentia que estava olhando diretamente para ela. Um frio intenso tomou conta do ambiente, e o ar parecia mais denso, difícil de respirar.

Lara tentou gritar, mas sua voz não saiu. Sua garganta estava travada, como se uma mão invisível a estivesse apertando. A figura começou a se mover em sua direção, deslizando suavemente pelo chão, sem fazer nenhum som. Lara sentiu o coração acelerar, batendo tão forte que parecia que ia sair do peito. Ela fechou os olhos, desesperada, tentando convencer a si mesma de que era apenas um sonho, uma ilusão da mente cansada.

Quando abriu os olhos novamente, a figura estava ao lado da cama, inclinando-se sobre ela. Lara conseguia sentir uma presença opressiva, como se o ar ao seu redor estivesse sendo sugado. A figura estendeu uma mão escura em sua direção, e Lara sentiu um toque gelado em seu braço. Era real. Tão real quanto a sensação de impotência que a dominava.

De repente, um som ecoou no quarto. Era a voz de Lara, mas não a voz que ela conhecia. Era uma voz distante, ecoando como se viesse de outro lugar, de outro tempo. “Acorde”, dizia a voz. “Acorde agora.”

Com um esforço sobre-humano, Lara conseguiu mover um dedo. Depois a mão. Aos poucos, a sensação de peso foi diminuindo, e ela conseguiu sentar na cama, ofegante. A figura havia desaparecido, e o quarto estava silencioso novamente. A luz da lua ainda entrava pela janela, mas agora parecia mais quente, mais reconfortante.

Lara olhou ao redor, tentando processar o que havia acontecido. Sua mente estava confusa, mas uma coisa ela sabia: aquilo não tinha sido um sonho comum. Ela se levantou e foi até a janela, olhando para o jardim lá fora. As folhas das árvores balançavam suavemente ao vento, e o mundo parecia estar em paz. Mas Lara sabia que algo havia mudado. Algo dentro dela.

Nos dias seguintes, Lara tentou entender o que havia acontecido. Pesquisou sobre paralisia do sono, sobre alucinações hipnagógicas, sobre medos inconscientes. Mas nenhuma explicação científica conseguia apagar a sensação que ficou: a de que, naquela noite, algo havia cruzado o limiar entre o real e o imaginário.

E, às vezes, quando ela estava prestes a adormecer, Lara sentia um frio repentino, como se a figura ainda estivesse ali, observando, esperando. E, no fundo, ela sabia que, uma hora ou outra, aquela presença voltaria. E, dessa vez, talvez ela não conseguisse acordar a tempo.

Esta é uma obra de ficção.