
O fim do domingo tem um gosto agridoce. É como aquele último pedaço de bolo que você come devagar, não porque está saboreando, mas porque sabe que, depois dele, o prato estará vazio. O dia começa promissor: o sol aparece preguiçoso, o café é mais demorado, o almoço é regado a risadas ou silêncio confortável, e até os ponteiros do relógio parecem desacelerar para acompanhar o ritmo mais tranquilo.
Mas o domingo, traiçoeiro que é, carrega em si um aviso: amanhã é segunda-feira.
À medida que a tarde avança, o ar ganha um peso diferente, como se a gravidade aumentasse. O relógio, que até então parecia condescendente, acelera sem piedade. As 15h viram 17h num piscar de olhos, e quando você menos percebe, está sentado na frente da televisão, encarando o noticiário ou tentando decidir entre começar aquele filme longo ou só cochilar no sofá.
E então vem a síndrome do Fantástico. A música de encerramento do programa não é só uma trilha sonora; é um lembrete de que o descanso acabou, de que a semana recomeça, trazendo com ela todas as promessas, cobranças e listas de tarefas pendentes.
O início da segunda-feira é como um recomeço inevitável. Por mais que a gente se prepare – arrume a mochila das crianças, passe a roupa para o trabalho, planeje os horários da academia –, a sensação é sempre de cair numa montanha-russa logo no primeiro minuto do dia.
Mas talvez haja algo de poético nisso. O domingo que acaba não é apenas o fim de um descanso; é também o início de mais uma chance. A segunda, apesar de temida, nos devolve o controle. Traz consigo a oportunidade de reescrever, recomeçar, ou ao menos tentar chegar ao próximo domingo com a sensação de missão cumprida.
E então, no fundo, o fim de domingo e o início da semana não são tão diferentes assim. Ambos pedem coragem: para se despedir da tranquilidade e para abraçar o movimento. O segredo, talvez, seja lembrar que cada domingo trará um novo recomeço e que, mesmo nas segundas mais difíceis, o próximo fim de semana já nos espera, escondido logo ali.









