A pandemia pode definir a eleição para Prefeito

Foram jogados os dados. A reabertura comercial seguindo o plano SP do governador João Doria era um anseio dos comerciantes de São Carlos que estavam sofrendo muito com o fechamento de suas lojas em meio a pandemia de COVID-19 que assola o mundo. As lojas voltaram a funcionar, mesmo que em horário reduzido, e a aposta da Prefeitura se dá nessa retomada e nos baixos índices de uso de UTIs para colocar o comércio em funcionamento, pelo menos em parte.

A aposta é perigosa (essa índice não é confiável, em nossa análise), pois São Carlos tem registrado diuturnamente novos casos do COVID-19, mas também é bem verdade que as UTIs locais estão com 16% de ocupação, mas esse dado pode mudar, afinal de contas só poderemos medir os efeitos da reabertura daqui 15 dias e hoje estamos com 157 confirmados de COVID-19 (só ontem 19 positivos), há um mês atrás, em 2 de maio, eram 33 positivos. O reflexo de hoje é o resultado do relaxamento que veio no início do mês passado. Mas o que isso tem a ver com a eleição municipal que deve ser em dezembro?

No momento, tem tudo. Primeiro porque se o atual governo mantivesse a quarentena rígida agradaria parte da população que defende medidas duras de isolamento social para combater o Coronavírus, porém desagradaria sobremaneira setores comerciais que estavam sem vender há tempos e pessoas que perderam seus empregos devido à crise. O enigma para se resolver é muito complicado, pois o programa de Auxílio Emergencial do Governo é uma mixaria, muitas pessoas não receberam e ainda fomos obrigados a ver trilhões empregados no sistema financeiro quando deveriam estar no colo dos mais pobres neste momento de depressão profunda.

Além disso, a eleição municipal colocou Airton Garcia diante de um tabuleiro de xadrez: qual peça ele teria que movimentar? Preferiu reabrir, se os casos estourarem e as UTIs forem ocupadas, ele terá que partir para um fechamento duro e provavelmente para o lockdown, se as contaminações crescerem, mas com poucos óbitos (e aqui digo que qualquer óbito, qualquer um, é lamentável e me solidarizo com as famílias), a Prefeitura acreditará que sua estratégia foi correta.

Os adversários de Airton entraram numa arapuca, pois se defenderem a reabertura comercial plena terão perdido votos dos defensores da quarentena rígida, ao que passo que se agradarem os adeptos do isolamento radical podem ficar sem o apoio do setor comercial. No momento, eles estão sem discurso e a própria Prefeitura defende a abertura, mas recomenda também o “fique em casa” e o só saia por necessidade. É aquela passada de pano básica…

Contudo, pelas andanças no Centro da cidade vimos pessoas que estavam até passeando com famílias pelo Calçadão da General, um perigo para esses tempos de COVID-19 solto e doido para infectar, então parece que a Prefeitura  sabe que sua guinada e reabertura se transformaram numa “trucada” forte que somente daqui uns meses poderemos saber qual será o resultado.

O fato é que o ritmo da pandemia dará o tom das eleições. Se se sair bem dessa, Airton poderá dizer que fechou a cidade quando precisou, reabriu no momento certo e retomou a economia, mas se isso se transformar numa tragédia ele não terá muito o que dizer ao eleitor na eleição de 2020.

Só o tempo e o vírus poderão ditar o que acontecerá na urna.

Renato Chimirri