A pandemia prejudicou a educação para alunos e professores

Uma roda de conversa ‘online’ entre especialistas apontou o que deu errado e onde precisamos melhorar

No sábado, 15, na live “Ninguém solta a Mão de Ninguém na Educação” realizada no canal @edutie.prof. no Instagram, 3 especialistas falaram sobre a crise no sistema educacional brasileiro acentuada pela pandemia. Falta de recursos, falta de identificação de prioridade e de protagonismo do Ministério da Educação foram algumas das questões levantadas.

Participaram da live “Ninguém solta a Mão de Ninguém na Educação”  Lea Vera, pedagoga e especialista em ações educativas para pedagogos e organizadora da roda de conversa; José Arimatéia Dantas Lopes, ex-reitor da Universidade Federal do Piauí e ex-vice-presidente da ANDIFES – Associação Nacional dos Dirigentes das Instituições Federais de Ensino Superior; Tabata Amaral de Pontes, cientista política, astrofísica e deputada federal e Natália Ghidelli é pedagoga formada pela Universidade Federal de São Carlos, possui experiência em ensino bilíngue, educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental.

Professor José Arimatéia Dantas Lopes iniciou sua participação contando sobre a situação das universidades públicas que, em 2020 precisaram adaptar-se inclusive quanto ao orçamento, para dar o apoio necessário aos estudantes que não tinham os recursos financeiros para participarem das aulas ‘online’ em condições ideais. “Além disso, foi preciso auxiliar os estudantes que estavam em outros países e que não tinham o recurso necessário para voltar em meio a pandemia e para os que não tinham como voltar para as suas casas e precisaram continuar nos campi. Com os cortes orçamentários deste ano esse auxílio ficou comprometido e a possibilidade de adequar as universidades para a volta às aulas presenciais e híbridas também”, disse José de Arimatéa.

O ex-reitor afirmou ainda que o poder público precisa saber priorizar recursos. “Se o orçamento das universidades federais tivesse sido mantido nos anos anteriores poderíamos ter encontrado a vacina brasileira”, completou.

A deputada federal Tabata Amaral apresentou os resultados de um estudo realizado em parceria pela Fundação Roberto Marinho e Insper, que calculou o custo social que o país tem todo ano pelo fato de seus jovens não concluírem a educação básica, que supera o PIB per capita de uma década: R$214 bilhões/ano. Em tempos de pandemia e também no pós-pandemia, esse problema pode se agravar já que os jovens que têm a educação básica completa passam, em média, mais tempo de sua vida produtiva, ocupados e em empregos formais, com maior remuneração; têm maior expectativa de vida com qualidade e estima-se vivam quatro anos a mais que um jovem que não terminou a escolaridade; tendem a ter um menor envolvimento em atividades violentas, como homicídios.

“Nossa luta atualmente é contra os retrocessos com a educação. O que importa que esteja em pauta é como reduzir a evasão, por exemplo”, disse a deputada federal, relatora do “PL de Conectividade” – PL 3.477, que prevê investimentos para garantia de internet de qualidade a 18 milhões de alunos e 1 milhão e meio de professores que ainda não tem acesso nenhum ou tem acesso inadequado à internet. Aprovado pelo Congresso Nacional o PL foi vetado pelo Presidente Jair Bolsonaro. Agora a Bancada da Educação está tentando derrubar o veto. Apresentado há mais de um ano, o PL da Conectividade, segundo sua relatora, poderia ter reduzido os números atuais que mostram que 55% dos estudantes que moram em favelas, em comunidades conseguem acompanhar as aulas por falta de equipamento e conexão com a internet.

Lea Veras contou que essa realidade está também no centro do Estado de SP em região que não é classificada como de vulnerabilidade social: “em um dos ‘aulões’ gratuitos que realizamos, uma das professoras contou que não tinha como participar da atividade, um texto, e simultaneamente ouvir os colegas, pois mora numa chácara e lá a internet é muito ruim. A profissional quer aprimorar se, mas não tem recursos tecnológicos para isso”.

Acompanhe nas redes sociais as próximas postagens da série “O que eu tenho com isso” sobre questões importantes da educação que afetam a todos nós e os “aulões” especiais para os profissionais da área.