
Há despedidas que não fazem barulho, mas ecoam fundo na alma de uma cidade inteira. A de Paulo Henrique Pereira, o Paulinho, aos 64 anos, é assim. Uma ausência que pesa, que entristece e que deixa claro: São Carlos fica, sim, mais pobre culturalmente. Porque quando parte um sambista de verdade, não vai apenas uma pessoa, vai junto um pedaço da memória afetiva, da identidade e da alegria coletiva.
Paulinho era daqueles que entendiam o samba como linguagem universal. Um ritmo brasileiro que conquistou o mundo, que atravessou fronteiras, que fala de dor e de esperança, de luta e de amor. O mundo samba, e Paulinho sabia disso como poucos. Ele não apenas tocava ou cantava, ele vivia o samba como missão, como forma de espalhar afeto, união e pertencimento. Vi Paulinho muitas vezes e sempre tive esse sentimento de cantar com a alma, algo indescritível.
Onde havia uma roda, havia também generosidade. Onde surgia uma batida, aparecia um sorriso. Sua presença era um convite silencioso para celebrar a vida, mesmo quando ela parecia pesada demais. Paulinho transformava encontros simples em momentos especiais, e isso é dom de quem carrega a cultura no coração.
A sensibilidade de sua trajetória foi traduzida com perfeição nas palavras de Angela Cordeiro, que escreveu:
“Hoje nos despedimos de um sambista querido, que fez da arte uma forma de amar e de servir. Seu legado fica vivo no compasso das rodas de samba e no coração de quem teve o privilégio de te conhecer.”
É exatamente isso: seu legado não se apaga. Ele continuará vivo em cada roda que se formar, em cada pandeiro afinado, em cada voz que puxar um refrão conhecido, em cada encontro que tiver o samba como ponte entre as pessoas.
Com sua partida, São Carlos perde um guardião da cultura popular, um defensor da arte que nasce do povo e para o povo. Em tempos em que a cultura tantas vezes é deixada de lado, a ausência de Paulinho escancara o quanto pessoas como ele são fundamentais. Não apenas animam festas: constroem laços, fortalecem identidades e mantêm viva a tradição.
Hoje fica a saudade. Fica o respeito. Fica a gratidão.
E fica o samba, porque como ele mesmo certamente acreditava:
“O samba não pode morrer,
o samba não pode acabar…”
E também porque, no fundo, todo sambista carrega essa certeza:
“Enquanto houver tristeza,
haverá samba pra nos consolar.”
Que Paulinho siga em paz, em uma eterna roda de samba, daquelas onde a música nunca termina e a alegria é permanente.
Meus respeitos e carinho à família.
Renato Chimirri








