A Prefeitura precisa “abrir os olhos” para o Espaço Braile

Ofício: contenção de despesas

Eu sou amigo do Leandro Pagani Massarotto que é filho da Dona Margarida e do seu Leandro. Sei das dificuldades que a Dona Margarida possui com relação a visão devido a seu problema que há anos vem sendo tratado com inúmeras terapias e também atividades lúdicas importantes.

Dona Margarida é frequentadora do Espaço Braile e ontem uma postagem nas suas redes sociais me chamou a atenção. A professora Odeci Benatti estava revoltada com a recusa por parte da Secretaria Municipal de Educação, alegando contenção de despesas, do seu trabalho voluntário que era feito nas aulas de Yoga.

A professora divulgou em suas redes sociais o ofício da secretaria onde se encontra a negativa para que as aulas fossem ministradas. Disse a professora: “Sensação de impotência, revolta, onde a única reação que consegui ter foi de choro.  Choro por ver a experiência, onde compartilho com esses meninos, que NUNCA faltam a uma única aula ,vencendo obstáculos que não supomos sequer em sonhos, a mais bela experiência de minha vida. Onde vivenciamos o verdadeiro sentido do Yoga”.

Não sei ainda qual o motivo real para o cancelamento, mas pediria uma reavaliação e perguntaria para a Prefeitura se alguma outra atividade será colocada no lugar. O que será feito? É preciso que saibamos os motivos deste cancelamento, para além das formalidades da famosa contenção de despesas.

A população que tem deficiência visual é uma das que mais sofrem em São Carlos, a cidade não tem quase adaptações para quem tem esse tipo de problema, nas ruas são galhos de árvores mal cortados, calçadas em péssimo estado de conservação, motoristas que não respeitam quem precisa de um pouco de paciência para atravessar as ruas, ou seja, um suplício.

Será que nenhuma emenda de vereador poderia resolver a situação? O pessoal do Espaço Braile deveria procurar a Câmara Municipal para abrir um diálogo com os vereadores e assim tentar preservar as aulas que eles entendem ser fundamentais. Com muito respeito, conversa e exposição correta da situação, certamente um caminho que contente a todos poderia ser tomado. O diálogo é fundamental e essas pessoas precisam ser respeitadas e a Câmara tem que defender o cidadão e não ficar apenas colocando nome em rua e estrada e praça.

O que não deve ser feito é deixar as pessoas no escuro, além da escuridão diária, a escuridão do abraço fraternal também machuca.

Renato Chimirri