A repórter que coloca sentimento nas matérias que faz

Ana participa da cobertura do caso da búfalas de Brotas/Foto: Reprodução do Facebook

Eu conheci a Ana Luíza Marin quando ela era ainda uma criança e sobrinha da saudosa Selma (não sei ao certo se o nome dessa amiga que se foi é com S ou C), mas o fato é que como tenho alguns anos à frente da Ana lembro dela ainda pequena.

Como o tempo é implacável, todos fomos avançando, crescendo, se desenvolvendo e acabamos na mesma profissão: o jornalismo. Sem saber que a Ana era a Ana, comecei a ver seu trabalho aparecer no G1 de São Carlos e vi que ali tinha uma profissional competente, gabaritada e capaz de transformar matérias não apenas em informação de qualidade ao leitor, mas também em uma forma de ver o mundo e para mim isso é muito importante. Na verdade, eu acho que o jornalismo é isso: mostrar como o mundo é feito e tentar apontar um caminho para ser melhor e acredito que a Ana é quem melhor faz isso dessa “nova geração” em São Carlos, afinal o que tenho visto de textos superficiais por aí é uma grandeza, mas a Ana passa bem longe disso.

Vi muitas matérias suas, especialmente aquelas que reportaram tragédias onde ela conseguiu extrair o sentimento, o entendimento, o se colocar no lugar do outro que está sofrendo, repórter que faz isso é raro, tem uns que vão nestes lugares e tem ojeriza de entrar na situação, querem apenas uma imagem bonita dos seus rostos em meio a um mar de lágrimas e sofrimento, isso não é ser imprensa é apenas querer aparecer e a Ana não é assim.

Basta ver o trabalho bonito que fez e faz no caso das “Búfalas de Brotas”. Ana se envolveu com a questão e tem mostrado através de suas reportagens a dimensão de uma situação triste que deixou todo mundo consternado e admirado e se perguntando: como pode acontecer em uma cidade ao lado de São Carlos? Será que este tipo de fato não ocorre, com relativa frequência, em outros lugares?

Nesta cobertura, Ana colocou senso crítico, olhar aguçado para a reportagem, tomou as melhores decisões (ao lado de sua equipe), porém embutiu em toda a questão algo que lhe sobra: sentimento e isso faz a diferença. Jornalista que trabalha com sentimento é aquele que vai mais longe, que vê além da notícia, que deixa a frieza de lado e se emociona junto e isso a diferencia dos demais.

Enfim, é bom ver que a profissão que anda tão banalizada pelos tais “influencers” ainda pode sobreviver por meio de profissionais deste gabarito. Que mais “Anas” surjam para que a imprensa continue respirando.

Renato Chimirri