A situação do Palacete Conde do Pinhal é uma vergonha para a Prefeitura de São Carlos

Situação é precária

Dizem que uma cidade que não preserva a sua história não consegue se firmar como progressista para o futuro. A denúncia acertada do vereador Marquinho Amaral sobre o estado em que se encontra o Palacete Conde do Pinhal local histórico da cidade, residência do fundador de São Carlos  e que depois foi sede da Prefeitura, é uma vergonha sem tamanho para o atual governo.

Marquinho exigiu que a secretária de Educação, Wanda Hoffmann, se posicione sobre o assunto, pois lá era o Centro de Formação de Professores. Certamente, Hoffmann terá muito a explicar sobre a situação do prédio, pois ele NÃO pode ficar dessa forma e o Ministério Público que zela pelo assunto precisa tomar uma atitude. Um dos locais que serve como marco para a fundação de São Carlos não pode ser apresentado como o “lixo” que vemos nestas fotos.

O Palacete Conde do Pinhal tem que ser restaurado e transformado em um museu, onde depois da pandemia, as crianças possam ser levadas ao prédio para conhecer a história da cidade e de um dos seus fundadores, chega a dar um nó na garganta ver como o desmazelo, a incompetência, a falta de vontade política, de visão de futuro e também de senso deixaram o prédio chegar nestas condições absolutamente precárias.

O patrimônio histórico de São Carlos já está ameaçado por conta da ação do PTB Estadual que questiona leis que protegem os imóveis, agora chega esse péssimo  exemplo de preservação à mídia, o que só comprova que a cidade não tem educação, que São Carlos não aprendeu que sua memória forma cidadãos para o futuro. Não podemos deixar que este local fique dessa forma, precisamos que a sociedade civil se una para que o Palacete seja restaurado e se transforme em um centro propagador da cultura são-carlense.

Que exemplo de cidade universitária seremos se não preservarmos nosso patrimônio histórico? Com a palavra, a ex-reitora da UFSCar, Wanda Hoffmann, sobre este assunto. Se essa preservação não for de sua competência, que alguém da Prefeitura se posicione sobre o assunto, porque não farão política em cima da destruição do patrimônio histórico de São Carlos. Nós, nascidos aqui e criados nesta cidade, não deixaremos. Entendam esse recado, vocês são obrigados a resolver essa situação!

História do Palacete

Iniciada a construção em 1893 pelo engenheiro italiano Pietro David Cassinelli para ser residência do Conde do Pinhal, foi inaugurada em 1895. Com a morte do conde, em 1901, a família deixou de morar no local e o palacete foi utilizado pelas Irmãs do Santíssimo Sacramento, mantenedoras do Colégio São Carlos, de 1906 a 1913. Em 1918, o município tomou posse do imóvel.

Entre 1921 e 1952, o edifício foi sede do paço municipal e da câmara dos vereadores. De 1952 a 2008, abrigou apenas a prefeitura. De 2008 a 2016, o prédio foi sede da Secretaria de Educação – que em seguida se mudaria para o Palacete Bento Carlos (2016-17), e para a Casa da Cultura (2017). Atualmente, o Palacete Conde do Pinhal encontra-se fechado, à espera de reforma.

O prédio foi tombado pelo Condephaat em outubro de 1978.

Arquitetura

O imóvel apresenta uma arquitetura em estilo eclético, neo-renascentista em seus dois pavimentos, uma solicitação do próprio conde, que desejava uma residência similar ao Casarão do Marquês de Três Rios.

O autor

Pietro David Cassinelli (Gênova, 1854 – São Carlos, 1898), construtor do palacete, veio para o Brasil aos 28 anos, chegando em São Carlos em 1882. Teve uma fábrica de móveis, uma fábrica de gelo, e foi um dos fundadores da Societá Ginástica Educativa Cristóforo Colombo. Faleceu de febre amarela, aos 43 anos.

David Pedro Cassinelli é o autor do projeto do Palacete Conde do Pinhal

Foi responsável pela construção dos seguintes edifícios:

Sede da Fazenda Santa Maria do Monjolinho, da família Camargo Penteado

Palacete Bento Carlos, R. Treze de Maio, 2056

Residência da família Pillegi, R. Jesuíno de Arruda, 1993 (antigo 185)

Residência da família Fehr (demolido), R. Jesuíno de Arruda, 2137 (antigo 195/197)

Teatro Ipiranga (demolido), na R. Major José Inácio