Abrindo o Halloween: O Lobisomem da Vila Monteiro

Mistérios da meia-noite?

Dona Pina é o nome que uma vovó de 82 anos escolheu para falar com a reportagem sob anonimato. Ela tem cinco netos e dois bisnetos e morou, quando criança, em fazendas na região onde está o Parque Itaipu, diz que nasceu num sítio em Descalvado.

O São Carlos em Rede conheceu Dona Pina através de um amigo em comum que sempre ouviu sua avó contar estórias de uma figura emblemática do bairro onde ela mora, a Vila Monteiro. Dona Pina sempre lembra seu neto do lobisomem que ela garante (com sorriso maroto nos lábios) que perambula até hoje pelo bairro. “Lembro do seu Anselmo, ele dizia que um lobisomem invadiu seu galinheiro, era um sábado de manhã, nós éramos vizinhos, estava na frente de casa e o velho saiu bravo, dizendo que as galinhas tinham sido comidas”, afirmou.

A invasão ao tal galinheiro teria ocorrido numa sexta à noite, dia de lua cheia, propício para a aparição da criatura.

Dona Pina diz que a casa do Seu Anselmo ficou revirada na parte do fundo por causa da suposta invasão. “Ih, a mulher dele, a dona Nina, disse que ia falar até com o padre, porque escutou a barulheira à noite e viu um cachorro peludo correndo de sua casa, daí começou essa conversa na vizinhança de lobisomem”, conta.

Perguntamos para Dona Pina se ela lembra qual foi o destino do casal que teria sido visitado pelo lobisomem, mas ela simplesmente disse que os dois se mudaram para Limeira depois que viram a tal criatura.

O fato é que essa não é a única história sobre o lobisomem da Vila Monteiro. Dona Pina conta que mais pessoas relataram que viram a criança “raspando” janelas (naquela época muitas casas tinham suas venezianas voltadas para a rua). “Ah, dizem e a gente sempre escutava nas sextas-feiras, especialmente as 13, que os cachorros ficavam agitados, barulhentos, o Barão que era um cachorro aqui de casa ficava doido”, disse.

No passado, Dona Pina explicou que houve até uma reunião sobre o assunto. “Não lembro onde foi, mas meu pai, que já é falecido desde os anos 80, participou para tentar se montar uma espécie de patrulha para encontrar o lobisomem, mas todo mundo tinha medo”, conta sorrindo.

Perguntamos para Dona Pina se ela se assustava. A reposta foi surpreendente: “Tinha nada! Nunca vi o lobisomem de perto, ouvi barulhos, até acho que rasparam minha janela certa vez, porém eu não vi a criatura, ouvi uivos algumas vezes, mas poderiam ser cachorros da região!”

A vovó conta que durante muito tempo algumas pessoas tinham medo de andar à noite pela Vila Monteiro. “Um pipoqueiro, tem isso ainda? Andava pelo bairro com medo, não vendia mais nada depois das 21 horas, até teve aquela novela, o Roque Santeiro, né? Que falava do lobisomem”, conta sorrindo.

Recordando o seu passado, Dona Pina salientou que hoje tem mais medo dos vivos que dos mortos e das criaturas do além. “Ah, eu não ando mais perto do Arlindo Bittencourt, é tudo escuro, assaltos são comuns, muitas casas foram invadidas, acho que se o lobisomem realmente existisse ele estaria é correndo atrás desses ladrões, hoje tenho mais medo de quem tá vivo, do que dos mortos”, finaliza.

Dona Pina com mais de 80 ri toda vez que é questionada por esses fatos sobrenaturais do bairro e finaliza: “Tudo é mistério!”