Adeus, Maria! Descanse em paz!

Lembro-me quando morava quase na esquina da Manoel de Mattos com a Paulo Mont Serrat onde hoje a referência é o Supermercado Marini. Morava ali com meus pais em uma casa ao lado da minha prima Maria e do seu marido, o Nelson (que na família como é comum todo lugar ele é chamado de “Nérso”).

Uma das recordações que tenho é que sempre ia na casa da Maria que era vizinha à minha e um dia desses, logo depois que ela casou, vi que havia uma rosa amarela em um copinho no seu armário. Era uma rosa de açúcar, de glacê, com enfeite de bolo. Lembro da Maria me falando: “Pode comer que é docinho!” Rapidamente peguei o doce e comi e me recordo que foi uma das coisas mais gostosas da minha vida, tanto que tenho essa lembrança até hoje.

Uma outra recordação que tenho da minha prima foi quando ganhei uma bicicleta Caloi azul, a chamada Berlineta. Não sabia andar e queria uma bicicleta de todo o jeito, porém não havia como deixa-la em casa porque o presente seria encontrado, então a solução encontrada pela minha mãe foi esconder a bicicleta na casa da Maria. Quando ganhei o presente a Maria ficou dando risada porque tinha escondido para o “Papai Noel” o presente que me faria alegria no Natal dos anos 80, provavelmente oitenta e alguma coisa.

Mas as coisas de criança não paravam por aí. Em um aniversário meus pais compraram um caminhão de Bombeiro com escada para me dar, porém minha ansiedade pedia o presente na hora. Contudo, minha mãe colocou o caminhão em cima do guarda-roupa e o tapou, mesmo assim acabei encontrando-o. Todavia, para acha-lo, subi numa cadeira e cai para trás. O resultado? Bati a cabeça no chão. Minha mãe e a Maria foram me socorrer e depois de uns dias estava com a cabeça machucada, mas bem cuidada.

Quando a Maria teve sua primeira filha, a minha prima em segundo grau, a Michelle, o meu quarto ficava do lado da casa dela e me recordo que a bebê em seus primeiros dias chorava bastante, coisa de criança, né? Mas aquele barulho de choro não saiu da minha cabeça até hoje. Sempre lembro da Maria contando como a Michelle chorou ao longo dos seus primeiros dias de vida em sua nova casa, depois de vir para a maternidade.

Um dia estava sentado em frente minha casa, que era ao lado da casa da Maria, e fui chamado por ela para pegar uma grama que estava em sua calçada porque ela não queria descer a escadaria.

Ainda criança, tentei pegar e não consegui. A Maria começou a rir e desceu a escada e foi me ajudar a catar a grama e colocar no saco de lixo, coisa simples, mas que fizemos com paciência de Jó e depois ficamos dando risada por um longo tempo.

Meu pai sempre chamava a Maria de “Maria Pardinha” e ela, sei lá por qual motivo, apelidou  ele de “Peixoto”, nunca entendi esse apelido, mas achava engraçado e portanto sempre ria quando via a Maria falar assim com o meu pai.

Outra recordação que tenho diz respeito aos Natais na casa da minha avó. A Maria sempre fazia um doce, uma espécie de manjar, que era branco e que tinha uma cobertura, lembro bem que comi várias vezes esse doce e quando não tinha sempre queria saber porque a Maria não tinha feito.

Foram tantas recordações desses tempos para dizer que a minha prima Maria Aparecida Chimirri Migliati faleceu hoje aos 65 anos. Ela lutava contra uma grave enfermidade, entretanto não resistiu e seu óbito nos entristeceu muito, sobretudo pela boa pessoa que era e por todas as passagens que tivemos juntos, especialmente na minha infância, já que ela tem alguns bons anos na minha frente.

Ficam aqui neste registro a saudade, a tristeza, a dor por suas filhas e por seu marido. Estão estampados pedidos de orações e também esperamos que as pessoas entendam que dor é dor, não importa como você a sente.

Dói mais quando você é impelido a escrever sobre alguém que marcou sua vida, justamente numa idade onde suas lembranças são formadas. As que tenho com a Maria jamais passarão. Que ela descanse em paz!

Renato Chimirri