Airton deve agradecer as verbas do Estado, mas não pode descuidar de sua base

A galinha coloca ovos e faz muito barulho

Airton Garcia e seus secretários ficaram esfuziantes com os R$ 30 milhões recebidos do governo João Doria para diversas obras em São Carlos. De fato, é motivo para comemoração tamanha quantia, pois os projetos que este governo tem para a cidade poderão ser realizados sem grandes percalços, ainda mais em tempos de pandemia.

Porém, parece que a sanha de alguns em transformar Airton do dia para a noite em um tucano de quatro costados pode ter reflexos, especialmente neste momento em que o vereador Marquinho Amaral está em pé de guerra com o governo Doria e demais tucanos estaduais e municipais.

Em âmbito estadual, Marquinho pode até ser “peixe pequeno”, pois é vereador em São Carlos, mas na Câmara Municipal ele é considerado um “tubarão”, afinal é um dos vereadores mais experientes da Casa de Leis e hoje preside uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que pode atingir diretamente o executivo que é a CPI da Saúde. Isso pode virar uma explosão sem tamanho para o governo municipal.

Numa guerra, ninguém sabe quem sairá ferido, por isso é importante a coordenação política da Prefeitura imaginar o que pode implicar neste momento para o prefeito no legislativo municipal muitos “louros” ao governo Doria. Ninguém está dizendo que não se deve agradecer, se deve sim! Mas é fundamental olhar a posição das nuvens na política da cidade e imaginar que elas são feitas na base e que a interferência e construção de pontes não vem do âmbito estadual, mas sim municipal.

Este governo tem o dever, pelo bem de São Carlos, de parar de se dividir em grupos e começar a caminhar em apenas um diapasão, não adianta nada político achar que aparecer em rede social o cacifa para alguma coisa, porque isso não acontece, é preciso ter base, construir diálogo e mostrar coesão se quiserem construir um projeto político contundente e duradouro. Quem está no poder num âmbito superior vê São Carlos apenas como mais um peão a ser mexido dos outros 644 que estão no território paulista. Não pensem que eles se importam com a sucessão municipal, porque não estão nem aí, quem ganhar por aqui terá de bater na portas dos caras com o pires na mão novamente, ou seja, é indiferente o dono da cadeira no Paço Municipal.

Sendo assim, é importante cuidar da base legislativa, não deixar que surpresas desagradáveis apareçam “do nada” por causa de tanta exposição midiática em hora indesejada. Política é a arte de aglutinação, mas isso tem que ser feito sabendo que outras partes que também estão no projeto não sairão melindradas da situação. Na Prefeitura, ainda tem gente que não aprendeu a “cozinhar o galo”, mas fazer farra, igual a galinha, porque conseguiu botar um ovo. É hora de olhar para o horizonte e não enfiar a cabeça embaixo da terra.

Renato Chimirri