Alguns são-carlenses não ligam: não usam máscaras e se aglomeram

Domingo com calorzinho, depois de um friozinho na madrugada é uma pedida boa para fazer um exercício ou dar um passeio numa praça, não é? Pois bem, o exercício até pode sair desde que se tenha o distanciamento social, não se ande em grupos e se use máscara, mas ontem, 21, numa caminhada básica (com máscara e distante) na Marginal da Educativa deu para ver um montão de gente andando em grupos, batendo aquele papo, ouvindo música e bufando (porque estavam correndo) literalmente do lado de outras pessoas e sem o equipamento básica de proteção que tem sido pedido insistentemente pelas autoridades para ser usado. É chato se exercitar de máscara né, minha (meu) filha (o)? Mas o que podemos fazer?

No mesmo domingo, só que a tarde, passo de carro, depois de ir levar um remédio na área da casa da minha mãe (não entro na casa dela desde o dia 16 de março) e observo numa praça famílias inteiras: papai, mamãe, crianças (algumas bebês) andando de bicicleta na praça, se confraternizando com outras crianças, pais sentados em bancos, jovens fazendo rodinha nos bancos, o detalhe, poucos usavam máscara, alguns as tinham, mas estavam penduradas no queixo, outros até tomavam uma cervejinha, já que o calorzinho gostoso da tarde pedia. A cena poderia ser normal para um domingo qualquer se não estivéssemos enfrentando uma pandemia que matou mais de 50 mil pessoas somente no Brasil, dentre as quais 11 em São Carlos, seria tudo bacana se o país não tivesse mais de 1 milhão de infectados e pelos dados oficiais a cidade respondesse por 368, mas nós sabemos (pela subnotificação) que esses números são bem maiores e que não dá para confiar, pois esse tipo de doença não permite saber quem está ou quem não está infectado.

O são-carlense parece que ligou aquele botão do palavrão do f…e assim decidiu que pretenderá acabar com a pandemia na cidade de maneira social, ou seja, esquecer que existe a doença e simplesmente “tocar o pau”, porém o pessoal está dormindo no ponto e não se recorda que se essa postura continuar vamos regredir no plano de abertura do Estado de SP e o comércio novamente fechará às portas e para piorar, podemos ver o índice de UTIs no que diz respeito a ocupação crescer e isso pode ser muito ruim para o setor de saúde, a pandemia no Brasil e em São Carlos está no auge, não é o momento de passear, ir na praça, fazer churrasco, jogo de futebol ou se reunir com os amigos. Agora, mais do que nunca, é preciso resguardo para que você (que pode ser assintomático) não venha a contaminar um idoso que pode desenvolver os sintomas da COVID-19 e morrer por falta de ar numa cama de hospital. Dá para imaginar que morte horrível é essa?

O mantra segue o mesmo: se você precisa ir ao comércio, vá sozinho, não leve seus filhos, não leve ninguém, faça o que precisa e volte o mais rápido para a sua casa, vá de máscara, lave as mãos com frequência, use álcool em gel, álcool a 70%, mantenha um ambiente limpo e arejado, pois somente assim poderemos nos prevenir desse vírus, pois a vacina aparecerá, mas ainda levará um tempinho e talvez o normal como estamos acostumados a ver só chegue no meio do ano que vem. Por que arriscar?

A impressão que tenho é que muitos são-carlenses só acreditarão no poder devastador do vírus quando alguém da família for acometido e precisar do ajuda no hospital, enquanto não acontecer eles continuam em filas sem máscara, andando por aí sem necessidade e passeando em praças ou até mesmo marcando uma pelada como bem demonstrou a fiscalização realizada pela força-tarefa neste final de semana.

É o momento de refletir sobre o que queremos para a cidade: quanto mais andarmos pelas ruas sem necessidade, mais o vírus circulará e infectará outros que poderão não resistir ao seu poder devastador. Ser responsável neste período é acima de tudo respeitar o outro e a si mesmo e neste quesito parece que estamos deixando desejar.

Será que precisaremos de um tranca rua para que as pessoas acordem para a gravidade do que vivemos?

 

Renato Chimirri

Imagem de NickyPe por Pixabay