Alunos e Professores do Carmine Botta fizeram a Câmara tremer de maneira democrática

Alunos ficaram de costas durante fala de Guerreiro

Por Renato Chimirri

Eles não sabiam que em alguns momentos precisavam ficar quietos, porque era a vez de quem estava usando a tribuna falar, mas aos poucos foram aprendendo e na tarde desta terça, 25, os alunos, professores e representantes de sindicatos como a APEOESP e associações como o Centro do Professorado Paulista (CPP) fizeram a Câmara Municipal tremer. O prédio Euclides da Cunha, erguido no século XIX, tremeu tanto que em dado momento o presidente Julio Cesar pediu para que os alunos não pulassem durante suas palavras de ordem, pois há gabinetes embaixo do pavimento superior e o assoalho da Casa de Leis é de madeira.

Os alunos e professores estiveram na Câmara para externar suas opiniões através da Tribuna Livre sobre o caso tão famoso dos cartazes de um trabalho sobre intolerância religiosa que ganhou a mídia nacional colocando São Carlos, infelizmente, numa posição desconfortável em tempos modernos como os que vivemos hoje.

Os alunos e professores do Carmine Botta que usaram a tribuna da Câmara fizeram bonito ao lembrar que o Estado é Laico e que não se deve misturar religião com política e que o papel do vereador realmente é o de fiscalizar as atitudes do poder executivo, dialogar com a sociedade, mas sempre num âmbito respeitoso e com a exata destreza para entender que a escola precisa ter autonomia pedagógica (que também deve ser fiscalizada, mas pela autoridade que manda na educação, no caso o secretário) para poder formar cidadãos críticos capazes de entender o mundo tão complexo atualmente.

Houveram momentos de tensão durantes as falas principalmente quando discursaram os vereadores Moises Lazarine, Edson Ferreira e o próprio Leandro Guerreiro que hoje gravou um vídeo no Facebook com palavras que foram repudiadas pelos professores.

Os alunos disseram palavras de ordem, aderiram à campanha do #elenão (contra o candidato Jair Bolsonaro) e construíram uma página democrática de luta na cidade mostrando que um protesto, pacífico, as vezes um pouco tenso, mas com o espírito irreverente que é próprio da idade daqueles jovens cabe bem a qualquer hora em qualquer lugar.

O vereador Azuaite França que discursou na tribuna disse que lembrou de um episódio de 1985 vendo a manifestação dos alunos. “Quando se tentou queimar livros em praça pública na cidade de São Carlos”, recordou e apoiou a iniciativa dos estudantes.

Assim como Roselei Françoso que afirmou não ter gostado do vídeo onde Leandro Guerreiro critica os professores. “Assim como muitos, minha esposa é professora da rede municipal e acorda cinco e meia, seis da manhã, para lecionar todos os dias, e luta muito pelos seus alunos”, afirmou.

Leandro Guerreiro, eleitor confesso de Jair Bolsonaro, usou óculos do candidato que se diz mito, fez os gestos que lembraram o deputado, e candidato a presidente e também desafiou alunos e professores a gritarem mais no plenário. Ele foi interrompido pelo presidente Julio Cesar quando tentou atrapalhar a fala de um aluno que usava a Tribuna Livre.

A Câmara nesta tarde ouviu coros de fascista, #nãopassarão, #elenão e o mais importante de todos que foi puxado pela ex-vereadora Julieta Lui: EDUCAÇÃO!

Sem dúvida, Educação, o bem mais precioso que um governo pode dar para o seu o povo e que no Brasil tem que ser conquistado a fórceps, justamente porque a classe política não dá exemplo do que é realmente construir um país educador.