Ameba “comedora de cérebro”: entenda os riscos e sintomas dessa infecção

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Ameba "comedora de cérebro": entenda os riscos e sintomas dessa infecção

Apesar de extremamente rara, a infecção causada pela Naegleria fowleri, popularmente conhecida como “ameba comedora de cérebro”, é considerada uma das doenças mais graves relacionadas à exposição à água contaminada. O microrganismo vive em ambientes de água doce morna e, quando consegue entrar pelo nariz, pode provocar uma infecção cerebral de rápida evolução e alta taxa de mortalidade.

A doença recebe o nome de meningoencefalite amebiana primária (PAM) e não é transmitida de pessoa para pessoa.

Onde a ameba é encontrada?

A Naegleria fowleri prefere águas doces aquecidas e sem tratamento adequado. Entre os locais onde pode estar presente estão:

  • Lagos e lagoas;
  • Rios de águas mornas;
  • Fontes termais;
  • Piscinas e spas sem tratamento adequado;
  • Poços e sistemas de abastecimento de água não tratados;
  • Parques aquáticos com água contaminada.

A ameba não sobrevive em água salgada, nem em piscinas ou sistemas de abastecimento corretamente tratados com cloro.

Como ocorre a infecção?

A contaminação acontece quando água contaminada entra pelo nariz, situação comum durante mergulhos, saltos, esportes aquáticos ou até mesmo durante a lavagem das narinas com água da torneira sem esterilização.

Depois de entrar pelas fossas nasais, a ameba alcança o cérebro através do nervo olfatório, onde provoca intensa inflamação e destruição do tecido cerebral.

É importante destacar que beber água contaminada não provoca a infecção, assim como a doença não é transmitida entre pessoas.

Sintomas podem aparecer rapidamente

Os primeiros sinais costumam ser parecidos com os de uma meningite e incluem:

  • febre;
  • dor de cabeça intensa;
  • náuseas e vômitos;
  • perda de apetite;
  • alteração do estado mental.

Com a evolução da doença, podem surgir:

  • convulsões;
  • alucinações;
  • visão embaçada;
  • queda das pálpebras;
  • perda do paladar;
  • sonolência intensa;
  • coma.

Diante desses sintomas após contato com água doce morna, a recomendação é procurar atendimento médico imediatamente.

Casos são raros, mas muito graves

Embora a Naegleria fowleri seja encontrada em diversos ambientes naturais, os casos de infecção são considerados extremamente incomuns. Pesquisas indicam que muitas pessoas entram em contato com o microrganismo ao longo da vida sem desenvolver a doença, possivelmente porque o sistema imunológico consegue eliminá-lo.

Ainda assim, quando a infecção ocorre, ela exige diagnóstico e tratamento rápidos.

Existe tratamento?

Sim. O principal medicamento utilizado é a anfotericina B, normalmente associada a outros fármacos, como rifampicina, fluconazol e miltefosina, conforme avaliação médica.

Especialistas destacam que as maiores chances de sobrevivência estão relacionadas ao diagnóstico precoce e ao início imediato do tratamento. Em alguns casos, também são empregadas técnicas para reduzir a temperatura corporal e controlar o inchaço cerebral.

Crianças e homens adultos aparecem entre os mais afetados

Estudos apontam que crianças de até 13 anos e homens adultos representam a maior parte dos casos registrados. A explicação mais provável é a maior participação desses grupos em atividades recreativas em lagos, rios e outras áreas de água doce.

Como prevenir

A principal forma de prevenção é evitar que água contaminada entre pelo nariz. As recomendações incluem:

  • evitar mergulhos em águas doces mornas e paradas;
  • utilizar protetores nasais durante atividades aquáticas em locais de risco;
  • não usar água da torneira para lavagem nasal sem antes esterilizá-la;
  • utilizar água destilada, esterilizada ou previamente fervida para limpeza das narinas;
  • usar filtros certificados quando indicado para esse tipo de procedimento.

Caso surjam febre, dor de cabeça intensa ou alterações neurológicas após contato com água doce morna, é fundamental procurar atendimento médico o mais rápido possível.

Embora seja uma doença rara, a informação e a prevenção continuam sendo as principais armas para reduzir os riscos de uma infecção potencialmente fatal.

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