
Nos anos 20 do século passado, São Carlos tinha suas tradições carnavalescas. As ruas estavam iluminadas por luzes coloridas, e o som dos tambores ecoava pelos becos de paralelepípedos. Ana, uma jovem de 20 anos, cabelos negros como a noite e olhos que brilhavam de curiosidade, estava ansiosa para o baile de pré-carnaval. Ela vestia um vestido vermelho vibrante, com detalhes que cintilavam sob as luzes, e seus pés mal podiam esperar para dançar.
O salão de festas estava repleto de pessoas, todas em trajes coloridos e máscaras extravagantes. A música era contagiante, e Ana logo se viu envolvida pela energia do lugar. Foi então que ela o viu. Um jovem alto, de trajes impecáveis, com um smoking negro que parecia feito sob medida. Seus olhos eram de um verde intenso, quase hipnotizante, e seu sorriso era tão charmoso que fazia o coração de Ana acelerar. Ele se aproximou com uma graça felina e estendeu a mão.
“Posso ter esta dança?” ele perguntou, sua voz suave como seda.
Ana, sem hesitar, aceitou sua mão. Assim que seus dedos se tocaram, uma corrente elétrica percorreu seu corpo. Eles dançaram juntos, movendo-se como se fossem um só. O jovem era um dançarino excepcional, e Ana sentia que flutuava em seus braços. Ele a girava, a puxava para perto, e ela sentia que o mundo ao seu redor desaparecia. A música, as luzes, as pessoas — tudo se tornava irrelevante. Só existiam os dois.
“Qual é o seu nome?” Ana perguntou, ofegante, enquanto eles dançavam.
“Você pode me chamar de Lúcifer,” ele respondeu com um sorriso enigmático.
Ana riu, achando que era uma brincadeira. “Lúcifer? Como o diabo?”
Ele apenas sorriu, seus olhos verdes brilhando com uma luz estranha. “Exatamente.”
A noite passou como um sonho. Eles dançaram, riram e conversaram como se se conhecessem há anos. Quando o baile terminou, Lúcifer ofereceu-se para levar Ana para casa. Ela aceitou, ainda envolta pelo encanto da noite. No carro, ele era gentil e atencioso, mas havia algo em sua presença que fazia Ana sentir-se ao mesmo tempo fascinada e inquieta.
Nos dias que se seguiram, Lúcifer começou a aparecer em sua vida com mais frequência. Ele a levava para jantares caros, passeios românticos e até mesmo para assistir ao nascer do sol. Ana estava completamente apaixonada. Ele era tudo o que ela sempre quisera: charmoso, misterioso, e com um toque de perigo. Mas, aos poucos, coisas estranhas começaram a acontecer.
Primeiro, foram os sonhos. Ana começou a ter pesadelos vívidos, onde via Lúcifer com uma forma diferente, mais sombria, com chifres e olhos flamejantes. Depois, foram os pequenos acidentes. Um incêndio inexplicável na cozinha, um espelho que se quebrou sozinho, e um vento frio que parecia segui-la por todos os lugares. Ana tentou ignorar esses sinais, atribuindo-os ao estresse ou à imaginação.
Mas uma noite, tudo mudou. Eles estavam em um parque, sentados sob uma árvore, quando Lúcifer finalmente revelou a verdade. Seus olhos verdes brilharam intensamente, e sua voz ecoou com uma profundidade que não era humana.
“Ana,” ele disse, segurando suas mãos. “Eu não sou quem você pensa que eu sou. Eu sou o Diabo, e você está sob meu encanto.”
Ana tentou se afastar, mas suas mãos estavam presas nas dele. “Isso é uma piada, certo?” ela perguntou, sua voz tremendo.
“Não é piada,” ele respondeu, sua forma começando a mudar. Chifres cresceram em sua cabeça, e suas asas negras se expandiram atrás dele. “Você é especial, Ana. Eu escolhi você para ser minha companheira.”
Ana sentiu um medo avassalador, mas também uma estranha atração. Ela lutou contra seus próprios sentimentos, tentando se libertar. “Deixe-me ir!” ela gritou.
Lúcifer sorriu, mas havia tristeza em seus olhos. “Eu não posso. Você já está ligada a mim. Mas eu prometo, você nunca sentirá solidão novamente.”
Ana acordou em sua cama, suando frio. Ela não tinha certeza se tudo havia sido um sonho, mas algo dentro dela sabia que não era. Nos dias seguintes, ela tentou evitar Lúcifer, mas ele sempre aparecia, como uma sombra em sua mente. Ela sabia que estava presa em um jogo perigoso, mas também sabia que, de alguma forma, ela havia escolhido isso.
E assim, Ana continuou a dançar com o Diabo, em um romance que era tanto uma maldição quanto um fascínio. E em noites de lua cheia, quando o vento soprava frio e as sombras se alongavam, ela podia ouvir sua risada ecoando em sua mente, lembrando-a de que, uma vez que você dança com o Diabo, você nunca mais para.
Esta é uma obra de ficção.









