Analisando o artigo de Victor Oliveira, João Muller diz que os bastidores políticos de São Carlos tramam contra a democracia

João Muller é vereador e agora secretário em São Carlos

 

Após 2012, o município de São Carlos experimenta, em sequência, dois administradores que são empresários, com discursos semelhantes e práticas incomuns para um governante. Se na iniciativa privada investem, assumem o risco com seus capitais, definem planejamento, metas e objetivos, na vida pública esqueceram de um forte componente:  a participação popular aliada a existência do parlamento.

Os dois empresários acostumados a ditar as regras e suas ordens, falharam no primordial da política de coalisão:  a governabilidade e estabilidade de um governo e consequentemente de uma cidade. Basta analisar a composição do primeiro escalão, secretariado, de ambos, que tinham e tem nomes de expressão no seio da sociedade, entretanto desvinculados da vida pública e seus meandros. Resultado, ambos ficaram sem uma base de sustentação no parlamento, por isso a dificuldade de entender o comportamento de situação e oposição.

Por outro lado, o atual governo, age diferente daquele de 2013 a 2016. Não tem olhado no retrovisor e evita acusar suas dificuldades e fragilidades administrativas em governos anteriores. Este comportamento inibe a existência de uma oposição mais contundente dos caciques do PSDB e PT. Oposição ao prefeito atual é exercida, por incrível que pareça, em apenas 15 meses, pelas pessoas que aderiram e defenderam  sua campanha e não tiveram atendidos seus pleitos ou sentiram-se injustiçados pelos atos do alcaide.

De toda sorte, este governo tem colhido resultados de iniciativas de outros administradores. O município recebeu a conclusão do 2º Módulo do Hospital Universitário, saiu a Internacionalização do Aeroporto “Mário Pereira Lopes” e na próxima segunda-feira (26) abrem as portas do Ambulatório Médico de Especialidades, o AME. Ao não olhar no retrovisor, evitou a prática do governo anterior que suspendeu obras, perdeu verbas já carimbadas  e colocou a ideologia partidária acima do interesse público.

Sem dúvidas alguma, os governos de Newton alavancaram o crescimento e desenvolvimento desta cidade. Obras, poderíamos enumera-las até atingir uma centena, mas a organização dos serviços públicos foi o grande legado, pena que parte desintegrada na sequência. Alguém se lembra como o cidadão contribuinte era tratado antes da implantação do SIM ( Serviços Integrados do Município)? Por mais que os adversários relutem em admitir, o Orçamento Participativo norteou as pequenas e grandes ações governamentais do município. Os Conselhos, as políticas integradas, exemplo: Plano Municipal Integrado de Segurança, os CRAS, CREAS, NAI, UPAs, as Escolas do Futuro, Guarda Municipal, Agentes de Trânsito, SAMU e a valorização da receita própria. Tudo isso e muito mais é reflexo da organização dos serviços públicos ao cidadão contribuinte

Airton, ainda que tenha cometido o deslize de afirmar no início da campanha que construiria uma creche ao mês, na sequência foi corrigido pelo seu marqueteiro. O termo seria: “zerar a falta de vagas no ensino infantil”. E caminha nesta direção. Entregou a CEMEI do Embaré, excuta as obras da CEMEI do Parque Novo Mundo, definiu a empresa da CEMEI do “Eduardo Abdelnur”, abriu a licitação da adequação da escola do Araucária (envelopes 03/05), conquistou esta semana do FDE os recursos para a CEMEI do Planalto Verde e fechou como contrapartida de um loteamento a construção de uma CEMEI no Zavaglia. Todas em áreas de vulnerabilidade social. Tem seus erros e acertos, porém esbarra em temas ultrapassados da administração pública.

Victor, meu analista a quem admiro muito e gosto de trocar ideias, pior do que tudo o que nós analisamos, são os movimentos de bastidores com viés constante de golpe a democracia que esta cidade tem. Pelo poder, pessoas, grupos, poder econômico conspiram, trabalham pela desestabilização de quem está no poder. Essas atitudes, este comportamento exige do administrador um consumo enorme de energia para se defender e se manter no cargo que lhe foi dado pelo voto nas urnas. Tempo precioso que poderia ser investido em planejamento, diálogo com a sociedade, com as Universidades, com as demais esferas governamentais.

Mas uma coisa é certa meu caro Victor, do outro lado está o cidadão comum, contribuinte e eleitor que precisa valorizar seu direito de voto. Não existe milagre. Quem apresenta soluções fáceis e vende ilusões não terá condições de cumprir o prometido ao chegar no poder. Quer saber qual será o comportamento dos seus representantes? Analise a conduta em sua vida privada. No poder, ele somente potencializará seus defeitos ou virtudes. Diria, depois de duas décadas, que o Brasil, o Estado e o nosso município caminha pela força do trabalho e coragem daqueles que arriscam os seus capitais para produzir. A nós, políticos, com a função de organizar a vida em sociedade ainda não entendemos muito bem o que significa a expressão “INTERESSE PÚBLICO”.

João Muller, vereador pelo MDB, ex-presidente da Câmara Municipal, ex-secretário de esportes e de governo e ex-presidente da Prohab de São Carlos.