Ícone do site São Carlos em Rede

André, tardiamente todos estamos sentido a sua dor

André tinha 38 anos

Pelo que li o André Alves da Silva que infelizmente morreu hoje, 13, depois de ser atingido por tiros da Polícia Militar no Centro de São Carlos, estava com problemas de saúde mental e sua família mantinha um grande empenho para que ele pudesse fazer um tratamento adequado. A tristeza de sua morte, da forma que foi, reforça apenas uma situação que precisamos evidenciar diuturnamente: temos que falar abertamente dos problemas de saúde mental e buscar soluções para eles, inclusive o Sistema Único de Saúde deveria dar uma atenção verdadeira para os milhões de pacientes que passam por esse tipo de situação.

Certamente, em sã consciência, o André não queria estar ali e o desfecho de tudo o que aconteceu nos chocou de uma maneira profunda. Tenho mais de 30 anos em reportagem, comecei cedo e esta foi uma das situações mais tristes que fui obrigado a noticiar. O jovem André, 38 anos, com toda a vida pela frente teve sua trajetória interrompida ali na esquina da avenida São Carlos com a Jesuíno de Arruda. Nunca mais vou esquecer desta sexta, 13.

Uma dor sem precedentes para todos nós e que, tardiamente, também estamos sentindo. Se toda a sociedade tivesse dado atenção aquilo que o André passou e estava passando, talvez o desfecho de tudo isso tivesse sido outro, mas de maneira abjeta nós falhamos enquanto sistema, estamos falhando como conjunto de pessoas, não olhamos para a dor alheia, apenas para o nosso egoísmo, ao passo que julgamos, sem saber, o que pode ter acontecido. Não dá para simplesmente deixar passar e não falar nada. Temos, sim, que nos colocar no lugar dessa mãe, desse pai e demais familiares que ficaram e que agora tem que conviver com essa situação tão devastadora.

O que vi de gente nas redes comemorando o triste fim da ocorrência foi algo que me enojou. Não sou perito para entrar no mérito do trabalho policial, fiz o que minha consciência mandou que foi ouvir a Polícia Militar para que eles dessem a sua versão dos fatos e aqui também me coloco à disposição para ouvir a família do jovem André, se assim eles desejarem.

Mas queria dizer que não podemos comemorar o que aconteceu hoje. Dá para perceber a barbárie do ato de muita gente? Eles não conseguem olhar para a dor alheia, para o ser humano que estava ali, para aquele que pereceu de forma tão trágica. Apenas curtem ver a ação quase cinematográfica que estava acontecendo. Uma lástima, uma sociedade que exala um cheiro ruim, que comemora desfechos tristes. Pessoas que só aprendem quando a perda os atinge de maneira frontal.

O mínimo que temos que fazer é nos colocar no lugar da família do André tentar imaginar a dor que eles estão sentindo, procurar mensurar o tamanho da perda irreparável que tiveram. Aqui cabe aquele adágio bíblico que está em São Mateus 7,3: “E por que reparas tu no cisco que está no olho do teu irmão, e não vês a trave que está no teu olho?”

É hora de começarmos a reparar em nós mesmos. Precisamos melhorar. Meus respeitos ao André e a sua família.

Renato Chimirri  

Sair da versão mobile