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Antes da notícia, existe uma mãe: a dor de uma família que precisa ser respeitada

Antes da notícia, existe uma mãe: a dor de uma família que precisa ser respeitada

Antes da notícia, existe uma mãe: a dor de uma família que precisa ser respeitada

Há acontecimentos que chegam às redações como notícia, mas que não podem ser tratados apenas como notícia.

Na manhã desta sexta-feira, 2, São Carlos recebeu a triste informação da morte de Denis Cesar dos Santos, de 43 anos. Ele estava desaparecido desde quarta-feira, 30, quando saiu de casa e não retornou. Familiares procuravam por informações, mobilizaram pessoas e recorreram às autoridades na esperança de encontrá-lo.

Infelizmente, a procura terminou da maneira mais dolorosa possível.

Denis foi encontrado sem vida dentro de um veículo no estacionamento em frente ao Estádio Municipal Professor Luís Augusto de Oliveira, o Luisão. As circunstâncias da morte deverão ser esclarecidas pelas autoridades competentes, com o trabalho da perícia e os demais procedimentos de investigação.

Mas há uma informação nessa história que nos obriga a olhar para além da ocorrência policial.

Foi a própria mãe de Denis quem encontrou o filho.

Talvez seja impossível traduzir em palavras o que representa esse momento para uma mãe. E justamente por não conseguirmos dimensionar essa dor, precisamos exercer aquilo que deveria acompanhar qualquer notícia envolvendo uma tragédia: empatia.

Por alguns minutos, é preciso deixar de lado a curiosidade sobre circunstâncias, hipóteses e detalhes e imaginar apenas uma família que procurava alguém que ama.

Uma mãe esperava o filho voltar para casa.

Uma família aguardava uma ligação, uma mensagem, qualquer notícia capaz de encerrar a angústia daqueles dias de desaparecimento.

A notícia chegou. Mas não aquela pela qual todos esperavam.

Agora começa outro período, talvez ainda mais difícil: o do luto.

Nesse momento, familiares não precisam de especulações, julgamentos ou comentários cruéis nas redes sociais. Precisam de respeito. Precisam de silêncio quando não houver palavras capazes de confortar. Precisam ter preservado o direito de viver a própria dor.

Quem acompanha uma notícia pela tela do celular pode fechá-la e seguir o dia. Para aquela família, porém, não existe esse botão.

Existe uma cadeira que ficará vazia.

Existem lembranças.

Existem perguntas.

Existe uma mãe que perdeu um filho.

O jornalismo tem o dever de informar e acompanhar o trabalho das autoridades para esclarecer o que aconteceu. Mas também tem o dever de lembrar que boletins de ocorrência, viaturas, perícias e investigações envolvem pessoas de verdade.

Denis não é apenas o homem encontrado nesta sexta-feira.

Era filho de alguém. Era familiar de alguém. Tinha uma história construída ao longo de 43 anos e pessoas que, até poucas horas atrás, ainda alimentavam a esperança de encontrá-lo e levá-lo de volta para casa.

Que as circunstâncias de sua morte sejam devidamente esclarecidas pelas autoridades.

E que, enquanto isso, São Carlos saiba oferecer a essa mãe e a toda a família aquilo que está ao alcance de cada um de nós: respeito, humanidade e solidariedade diante de uma dor que ninguém gostaria de experimentar.

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