Araraquara bate recorde de casos de COVID e está perto de novo lockdown

Lockdown pode acontecer novamente

Araraquara registrou 281 casos de coronavírus nesta quinta (10), maior número desde o início da pandemia; índice de lockdown foi atingido pela segunda vez

O prefeito Edinho utilizou suas redes sociais nesta quinta-feira (10), quando Araraquara registrou recorde de novos casos diários de Covid-19 e atingiu pelo segundo dia o índice de fechamento das atividades econômicas, para novamente pedir a colaboração da população nos cuidados de prevenção da doença.

Os 281 casos de coronavírus registrados nesta quinta representam o pior dia da pandemia em relação às contaminações. Desde março do ano passado, nove dias tiveram mais de 200 casos confirmados, sendo sete no último mês de fevereiro (quando o lockdown precisou ser decretado) e dois neste mês (em 4 de junho foram 252 casos, o pior dia até então).

Também nesta quinta, o município atingiu pela segunda vez o índice de lockdown previsto em decreto (o primeiro foi na terça-feira), com 22,97% das amostras gerais e 29,65% de positivação entre os sintomáticos que procuraram o sistema de saúde.

O decreto municipal em vigor, construído com especialistas em epidemiologia e com participação da OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde), prevê que o fechamento das atividades econômicas ocorrerá se houver a positivação de 20% das amostras totais ou 30% dos sintomáticos em 3 dias seguidos ou em 5 dias dentro de intervalo de 7 dias. O lockdown seria de, no mínimo, 7 dias.

Em transmissão ao vivo pelo Facebook, Edinho fez uma estimativa de novas internações e óbitos de acordo com o comportamento da pandemia desde o ano passado, conforme relatos das equipes de saúde que atendem pacientes nos hospitais.

Em média, 20% dos pacientes contaminados precisam de internação, o que representa, nos casos confirmados nesta quinta, cerca de 50 pessoas. Metade desses pacientes deve precisar de leitos de UTI, ou seja, 25 pessoas. Dos pacientes em UTI, entre 50% e 60% não sobrevivem. Portanto, de 12 a 15 pessoas entre as positivadas nesta quinta-feira iriam a óbito, seguindo esse raciocínio.

“Estamos falando de vidas que serão ceifadas, pessoas que irão morrer, famílias que serão enlutadas. Isso não tem disputa política, partido político. São vidas. São vidas de pessoas de famílias que acreditam na pandemia, que não acreditam na pandemia, mas são vidas. Se não revertermos esse quadro, se as pessoas não se conscientizarem, se nós não conversarmos com quem desacredita da doença, não teremos outro caminho a não ser decretar o lockdown. E não sou eu que decreto. Quem decreta é a cidade de Araraquara”, afirmou Edinho.

“Eu, enquanto prefeito, não vou permitir que as pessoas morram por falta de assistência médica, por não terem acesso a um leito hospitalar. Ou nós mudamos esse quadro ou Araraquara não terá leitos para esse tanto de pessoas que estão se contaminando”, alertou Edinho.

Para a secretária de Saúde, Eliana Honain, o momento é preocupante. “São números alarmantes e que não tivemos desde o começo da pandemia. Quanto mais positivados, maior a taxa de ocupação de leitos e mais óbitos ocorrerão. Precisamos da conscientização da população”, analisa Eliana.