As lições do Corona

Por Glauco Keller Villas Boas

Há um famoso provérbio chinês que diz: “O homem prudente aprende com os próprios erros. O homem sábio aprende com o erro dos outros.”

Olhando-se para o copo meio vazio, com o olhar do pessimista, veremos o caos social instaurado pelo vírus Corona e todas as perdas de vidas e econômicas que a pandemia nos trouxe. Sob o olhar do otimista, contudo, com o copo meio cheio, podemos enxergar as lições que a Covid-19 nos trará. Caberá a nós aprendê-las ou não.

Em primeiro lugar, precisamos perceber a importância do voto. Hoje, temos no maior cargo político do país, um cidadão completamente alienado, incapaz e com julgamento prejudicado por sua baixa capacidade cognitiva. Me critiquem, me xinguem, mas, antes, me provem o contrário. Antes que alguém me chame de comunista, petralha, marxista etc, gostaria de informar que nunca fui filiado a nenhum partido político. Acredito que o comunismo é utópico, pois o ser humano não quer ser igual ao outro e, o tal sistema, além de tirar a individualidade do ser, cerceia sua liberdade. Já o Marxismo, nem mesmo Marx concordaria com algumas coisas que pregou há mais de cem anos e você que está me odiando não deve ter lido.

Dito isso, e mantendo-me no campo das ideias e fatos e não de achismos e ideologias maniqueístas que adaptam os fatos às teorias, é impossível não questionar, nesse momento tão importante para as sociedades, como o Estado não pode e não deve ficar à mercê do mercado financeiro que apenas se preocupa com lucros e rendimentos, com os números e porcentagens que irão gerar mais lucros e rendimentos e maior desigualdade social.

O governo do senhor Jair Bolsonaro tentou e perdeu no STF, se bem me lembro, acabar com a ínfima cobrança do seguro obrigatório, pago anualmente pelos proprietários de veículos automotivos. No momento de crise em que vivemos, o próprio governo está destinando aproximadamente quatro bilhões de reais do dpvat para o SUS – outro sistema na alça de mira do senhor presidente.

Ora, devo perguntar, o que faríamos nós, enquanto sociedade, se o SUS não existisse? Nos EUA, onde o sistema público de saúdo não existe, um teste para o Vírus Corona custa 3,5 mil dólares. Ninguém quer fazer, é caro e, com isso, não se tem uma real dimensão do número de casos. Aqui é gratuito. Ainda que demore um pouco. Os planos de saúde não querem arcar com os custos, pois não têm obrigação com a disseminação do vírus, apenas com o tratamento dos sintomas dos seus associados.

Outro foco de críticas do governo Bolsonaro, as universidades, vítimas do malicioso contingenciamento de gastos do néscio senhor ministro da Educação, estão pesquisando, batalhando e buscando alternativas de combate ao vírus através de estudos sem qualquer custeio do governo federal, afinal, cientistas em todo o país, tiveram suas bolsas de estudo cortadas por, supostamente, serem “maconheiros”, “vagabundos” e realizarem balbúrdia. Pois saibam, caros leitores, que quem faz vacina é a ciência e não a igreja e é possível ter religiosidade, religião, ser crente, católico, evangélico, umbandista ou espírita e aceitar a importância do estudo e da ciência na sociedade. É essa a grande mensagem que o vírus Corona deixa para a população brasileira.

Governar um país não é para qualquer um. Não é para lunáticos, alienados ou “outsiders”. O próprio governo está apartando o senhor presidente do comitê de crise, pois, fico imaginando, quais seriam as opiniões do capitão em relação ao vírus, sua disseminação e contenção. “Fantasia”. “Histeria”. Por sorte, temos no Ministério da Saúde um médico sóbrio, sereno, capaz e muito organizado. Luiz Henrique Mandetta está tomando as rédeas do executivo e governa o país, junto dos presidentes da câmara, do senado e do STF, e está sendo criticado pelo senhor Bolsonaro por estar “aparecendo” mais do que ele e evitando discursos político-ideológicos. Ora, faça-me o favor.

Fica a dica: o estado do bem-estar social é necessário para que uma sociedade exista e ele deve ser gerado pelo estado que deve priorizar setores estratégicos como saúde, educação, ciência, energia etc, independente do sistema e da ideologia do governo. A iniciativa privada tem uma importância gigantesca na economia, com geração de empregos, empreendedorismo, desenvolvimento urbano, mas não é capaz de cuidar das pessoas sem que isso custe muito ao cidadão. Por isso, cabe aos brasileiros pensar que se não é mais possível aprender com o erro dos outros e intitular-se sábio, ainda há chance de tornar-se prudente e aprender com os próprios erros.

 

 

 

  • O autor é professor e apresenta os Programas Alternativa A e Onda Esportiva.

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