Até quando as mulheres serão mortas de maneira cruel em São Carlos?

Ela tinha 27 anos

Eu estava indo almoçar quando sai correndo para voltar à mesa de trabalho. Minha filha que tem dez anos viu a cena e perguntou: “Pai, porque você está correndo, não vai almoçar?” No momento não contei para ela o motivo pelo qual precisava me ausentar neste sábado, 21, da mesa do almoço, mas foi impossível não pensar no futuro dela e de outras tantas mulheres neste Brasil, em SP e em São Carlos.

Saí da mesa para apurar o caso da jovem Thamiris de Oliveira que foi assassinada em sua casa no Eduardo Abdelnur e o acusado pelo crime seria seu ex-companheiro. Thais foi morta de maneira cruel e deixou quatro filhos, segundo consta. Ela tinha apenas 27 anos de idade, todo uma vida pela frente, sonhos e projetos, mas tudo se encerrou dessa maneira tão trágica, dolorida e que nos entristece sobremaneira. O caso está nas mãos da Polícia Civil.

Não é mais possível que no século XXI as mulheres continuem morrendo dessa forma tão trágica. Não podemos aceitar que em São Carlos assassinatos deste tipo se tornem rotina anualmente. Outro dia no Jóquei Clube, outro dia no Zavaglia, recentemente no Jardim das Torres, agora no Eduardo Abdelnur e em outros bairros, independente da classe social, a violência contra a mulher parece perpetrada na sociedade, dá a impressão que esse tipo de barbaridade foi normalizada e muitos acham comum. Não é possível! Não podemos aceitar jamais que crimes deste tipo se repitam, é preciso gritar!

Hoje, morreu a Thamiris, no futuro, quantas outras podem morrer porque simplesmente e de maneira muito justa lhes foi dado o direito de escolher como querem viver? As mulheres merecem tratamento equânime, justo e até mais privilegiado que o destinado aos homens, essa é uma forma de reparação por séculos de violências sem tamanho que foram cometidas contra elas. Dá para imaginar a quantidade de mulheres assassinadas de maneira violenta ao longo do tempo? Se você parar para pensar nisso, ficará doido ou doida, pois esse número é infinito e triste.

Penso na minha filha que ainda terá que encarar a sociedade no futuro e que poderia ser uma vítima deste tipo de situação lastimável, sei que pais que tem a cabeça no lugar também pensam a mesma coisa. O homem, o macho, precisa entender que ele não é dono de ninguém, nunca foi e nunca será, e que uma relação duradoura precisa ser baseada na vontade (de se relacionar) entre as partes e também no respeito mútuo. De resto, ela não tem como prosperar.

O delegado Edmundo Ferreira Gomes que esteve na cena triste na manhã deste sábado, 21, confirmou que irá ouvir as partes e fazer as investigações de praxe e que se tudo for comprovado, o suspeito será autuado e responderá pelo fato.

Mais um sábado triste, mais uma mulher que morre assassinada. Que o delegado Edmundo Ferreira Gomes consiga realizar seu trabalho e fazer a justiça necessária, embora isso nunca traga a vítima de volta. Que a Thamiris descanse em paz!

Renato Chimirri