Audiência discutiu transporte alternativo e Secretário afirma que ônibus devem ter TV, ar condicionado e Wi-fi

Transporte na berlinda

A audiência pública que discutiu o transporte alternativo e sua regularização aconteceu na noite desta sexta, 16. Publicamos aqui a primeira parte da nossa cobertura onde mostramos que os diversos setores estiveram representados na Câmara Municipal e puderam expor sua opinião.

Taxistas

Os taxistas de São Carlos fizeram um protesto pacífico antes da audiência pública que discutiu o transporte alternativo na cidade. Eles pediram para a Prefeitura fiscalizar todos os modos de transporte, o presidente da USE Táxi, Cleber Vieira, disse que o taxista trabalha sério pela sociedade. “Precisamos ser enxergados de uma forma digna, como pessoas que pagam seus impostos”, afirmou.

Cleber ressaltou que a Prefeitura precisa tomar uma atitude com relação aos clandestinos que estão borbulhando pela cidade. “Há tempos pedimos essa fiscalização, não somos contra nenhuma forma de transporte, porém queremos que as leis que valem para os taxistas também valham para os demais”, afirmou.

O taxista afirmou que foi questionado sobre se estaria feliz por fazer mais corridas devido à falta de ônibus. “Não! Sou ser humano, como iria ficar feliz com a desgraça da população?”, ressaltou.

Alexandre De Santi, da Coopertáxi, explicou que muitos clandestinos cobram mais caro que os taxistas regularizados e rodam com veículos sem condições. “Hoje tem pouco mais de 50 ônibus, as ruas são ruins, e daqui alguns anos quando tivermos 170 ônibus, como ficará a cidade como mototáxi, táxi e Uber? Será um caos?”, indagou.

Mototáxi

Francisco Aguiar, representando a Associação de Amigos do Mototáxi, afirmou que é a favor da legalização dos clandestinos e questionou a mesa com relação ao mototáxi: “O vereador Leandro quer estudos sobre o mototáxi? Acho que ele está certo, em Araraquara existe o mototáxi desde 2012, falam que é perigoso, mas quantos óbitos ocorreram? A resposta: nenhum!”

O advogado lembrou de lugares remotos que os ônibus não chegam e que o táxi comum não tem como atender e vaticinou: “Neste momento que estou aqui em grupos que tenho aqui de transporte paralelos ocorreram mais de 130 chamadas, isso é normal?”

A visão de Francisco é interessante, pois ele mostrou que se regularizando ou não o transporte alternativo, ele continuará existindo e sem recolher os impostos devidos e que a tendência é que isso aumente devido à propagação da tecnologia.

Contudo, Francisco explicou que não é contra os taxistas, o transporte por aplicativo, ele defende que tudo seja debatido e que a hipocrisia não impere durante as discussões.

Adilson José, do SindiMoto, defendeu a regularização de todos os serviços feitos com motocicleta como entrega de gás, água e outras atividades.

Vans

Emerson Vergara, da Coopervansc, explicou que as cidades com melhor índice para se viver em SP tem transporte público de qualidade. “Não podemos ser reféns de uma empresa só, tivemos a oportunidade de mudar isso entre 2001 e 2003, quero dizer que o transporte coletivo de passageiro é acima de sete pessoas, defendo o transporte alternativo de van regulamentado e transparente, hoje não temos 60 vans clandestinas trabalhando, porque eles foram até a cooperativa nos comprar, mas não aceitamos esse tipo de coisa, não sou contra mototáxi, táxi, Uber, mas é preciso de um estudo, vão colocar 120 táxis, Uber, motos? Isso aqui virará um caos”, criticou.

Vergara afirmou que se o Uber ou outro aplicativo fizer transporte escolar, a cooperativa que ele representa acionará o Ministério Público.

Transporte Justo

Já Paulo Tauyr, arquiteto e representante do Transporte Justo, explicou que o sistema de transporte coletivo de São Carlos se tornou alternativo porque ele é muito ruim. Tauyr lembrou que há 10 anos uma pesquisa origem-destino mostrou que apenas 19% das pessoas usam ônibus em São Carlos e isso significa perda de qualidade de vida.

Tauyr disse que o transporte público é estruturado e puxa a mobilidade urbana numa cidade. “Quanto menos pessoa usa o transporte público, mais caro será a tarifa porque a empresa é remunerada por ela e assim a empresa pressiona a Prefeitura para ter subsídios milionários”, destaca.

Ele recordou que o edital que está na praça atualmente repete esse mesmo modelo que ele considera falido. “Se uma pessoa gira a catraca ou 40 pessoas, o custo é o mesmo, a empresa tem que ser remunerada pelo custo real, pelo km rodado e a tarifa não pode ir para a empresa e sim depositada num fundo municipal gerido com fiscalização”, ressaltou. “A tarifa não é decisão técnica, mas sempre política, isso tem que ser objeto de debate público, quanto do orçamento de uma população que ganha salário mínimo vai para o transporte público? Por isso muita gente anda a pé”, emenda.

O movimento também defende que a remuneração da empresa deve ser dado pela avaliação e qualidade do serviço prestado. Segundo Tauyr não se pode dar subsídio para se alimentar o lucro de uma empresa que não é transparente. “É possível também montar uma empresa pública com linhas de financiamento do governo para se comprar ônibus, assim você dá mais um passo para o barateamento do sistema, pois não existe o lucro”, ressaltou.

Prefeitura

O secretário de transporte, Ademir Souza e Silva, afirmou que não é contra o mototáxi, Uber ou outras formas de transporte. “Mas tudo tem que ser regulamentado e prestar um bom serviço ao cidadão”, falou.

Ademir salientou que as regulamentações dependem do poder executivo por meio de um projeto de lei com a apreciação da Câmara. “Isso evitará assaltos, furtos e etc”, ponderou.

Ele recordou o imbróglio do transporte na cidade que culminou com a contratação da Suzantur em 2016 que depois foi julgada irregular pelo Tribunal de Contas do Estado, o que motivou a intervenção na empresa no dia 23 de janeiro. “No dia 7 de março teremos os envelopes abertos e poderemos ter uma empresa que trazer ônibus com TV, Wi-fi, ar condicionado, uma série de coisas boas em favor do povo”, revelou.

O secretário disse que a Suzantur levou 29 veículos da cidade e 86 foram apreendidos e que hoje 72 rodam por São Carlos. “É o bom? Não é, mas é o possível e estamos trabalhando para melhorar”, afirmou.

Ademir prometeu acabar com gente que usa táxi como investimento ou com pessoas que pretendem utilizar o Uber para fazer o mal.

O vereador Paraná Filho, que presidiu a audiência, explicou que a minuta do projeto que regulamenta as atividades será confeccionado pelos vereadores e depois será enviado para o prefeito Airton Garcia que depois retornará, com os ajustes da Prefeitura, para que o mesmo seja apreciado pela edilidade local.

Fotos: Maurício Duch