Augusto Neto, um homem do bem e que ajudou muita gente

Augusto (no centro da imagem) faleceu hoje aos 51 anos

O Augusto Neto, falecido hoje, 24, por complicações do maldito vírus da COVID-19, tinha apenas 51 anos. Decididamente, Augusto era um cara do bem, bom caráter, boa gente. Com aquela sua voz de veludo no ar, o Urso, como a gente da imprensa gostava brincar com ele, já fez programas nas madrugadas onde unia casais. Ele lia poesias, tocava músicas românticas e falava de amor. Quer coisa melhor que isso numa madrugada de rádio e ao vivo? Muitos casais nos anos 90 se uniram sob a voz do Augusto Neto. Era o famoso Clube da Insônia na Rádio Realidade, um programa de muito sucesso.

Ele também  era um radialista que lutava pela categoria, trabalhou em diversas rádios, mas nunca perdia a docilidade habitual. Quando alguém conversava com o Augusto era fatal: você ria, porque ele sempre contava uma piada sobre o que estava acontecendo.

Lembro de um episódio quando o ex-prefeito Newton Lima estava com uma blusa cor de mostarda. Augusto entrou na sala onde o prefeito estava para dar a entrevista e viu a blusa. Olhou para a minha cara e, eu, discretamente peguei um papel e escrevi Heinz, lembrando da famosa mostarda.

Quando leu aquilo, Augusto na hora falou com seu vozeirão: “Prefeito, o senhor gosta de mostarda Heinz?”

Foi uma gargalhada só na sala. Esse era o Augusto, um homem simples, excelente cerimonialista, muito perspicaz em suas palavras e atento. Sempre nas entrevistas coletivas sabia fazer boas perguntas, tinha empatia para entrevistar.

Sua morte, mais uma para a COVID-19, é uma tragédia para sua esposa, para a sua família, para todos nós que o conheciam e gostavam de sua presença. O Augusto era um cara doce, seu falecimento tem um pouco da incompetência de todas as esferas de governo que deixaram a pandemia de COVID-19 chegar nesse estágio. Não temos vacinas para todos ainda, temos gente internada saindo pelo ladrão, temos cidades que não tem um leito de UTI, temos hospitais abarrotados e para piorar: temos gente morrendo, temos amigos morrendo, temos famílias sendo devastadas.

Os ricos, os poderosos, que estão em seus castelos quando pegam COVID ou qualquer doença vão se tratar em hospitais de primeiro mundo, vimos até empresários levando gente para se vacinar em outros países. Enquanto isso, gente comum, como eu, como você, como o Augusto (que hoje se foi!) estão à mercê da COVID-19.

Os brasileiros decentes estão morrendo, os trabalhadores estão perecendo. Eu perdi um amigo, mais um, para a COVID.

Até quando ficaremos nessa situação?

Renato Chimirri