Bar Vitória: Um lugar diferente e acolhedor!

A sinuca é a marca do Vitória

Confesso que quando fiquei sabendo que a Fátima e Suely haviam vendido o Vitória fui tomado por um sentimento de tristeza. Fazia algum tempo que não visitava o bar, primeiro porque os afazeres estavam tomando conta de tudo e depois porque a nossa turma não andava saindo com tanta frequência. Porém, ao chegar no bar no último sábado percebemos que o espírito do Vitória continua o mesmo e por isso de antemão já desejo todo o sucesso para o novo proprietário, muito acolhedor e simpático com todos.

Quando começamos a frequentar o Vitória era o início da trajetória da Fátima e da Suely no comando de um estabelecimento diferente. Sim, o Vitória nunca foi e nunca será um bar comum, primeiro porque não tem a elite são-carlense, muitas vezes podre e cheia de frescuras, mas sim o povo. O bar é diverso, tem gente de todo o tipo, de todos os credos, de todas as opções, de todas as cores e todo mundo se dá muito bem, num ambiente que foi construído pelas antigas proprietárias de maneira divertida, amiga, sincera e sobretudo humana.

Começamos a frequentar o Vitória porque éramos o grupo de canto da Igreja São Judas Tadeu, que por sinal é pertinho dali. Após anos de trabalho  na São Judas, nos transferimos para a Nossa Senhora de Fátima em 2006 e lá estamos até hoje. Muitos de nós fomos trabalhar em outras cidades e as oportunidades de ir até o Vitória ficaram mais escassas, porém sempre que podemos estamos por lá para jogar uma sinuca, dar boas risadas e também comer petiscos, por sinal o nível da comida que foi instaurado pela Fátima e pela Su continua o mesmo. Vale a pena, conferir!

Mas falar do Vitória nos faz lembrar da luta da Fátima e da Suely, elas foram guerreiras, especialmente em São Carlos onde o mundo dos donos de “boteco” é bem machista, são raras as mulheres, pelo que eu conheço, que tem um bar que faz muito sucesso como o Vitória fez e faz até hoje.

Quando estávamos no Vitória com frequência o acolhimento era sempre o mesmo, com carinho, respeito, educação, sentíamos a amizade das meninas. Quando brincávamos de sinuca a Suely fornecia até o taco especial com o qual ela mesmo jogava, ou seja, nós tínhamos uma relativa intimidade com as proprietárias e podemos dizer que esse bar faz parte da nossa vida, da nossa história enquanto pessoas.

O mais interessante do último sábado, quando por lá passamos, foi notar que o espírito continua igual, porque o bar está sendo frequentado por gente diferente, mas também muitos da época em que sempre estávamos por lá batendo cartão também apareceram; alguns, é bem verdade, com uns cabelos brancos, com filhos, com barriguinha, mas firmes e fortes no propósito de continuar dando vida para aquele espaço que já está marcado na história da boemia são-carlense como um local onde todos têm voz e tem vez.

Até minha filha, que hoje tem 6 anos, foi ao Vitória no sábado e se divertiu, numa prova inequívoca que aquele é um bar família, de amizade, onde as pessoas estão apenas preocupadas em se divertir. O Vitória não é chique, não tem glamour, o Vitória é uma ideia que continua viva, um propósito de ser um bar para as pessoas e não apenas um local para se beber e comer. Ali, a relação vai mais além.

Quero dizer que a Fátima e a Suely cumpriram a missão delas com louvor, não poderiam ter escolhido um nome melhor para o bar. Posso dizer com tranquilidade que elas são as verdadeiras vitoriosas na saga desse bar tão aconchegante.

Que o novo dono consiga manter esse espírito!

Renato Chimirri