Bastidores: Vereadores e Prefeito estão falando a mesma língua?

A política exige diálogo

A cena de hoje: um vereador, vou preservar o nome do mesmo, em frente da Câmara conversava com funcionários, o mesmo foi da base do governo Airton e apoiou (até debaixo d’ água) o atual prefeito Netto Donato, mas falava cobras e lagartos do executivo municipal. Estava irritado dizendo que não consegue conversar com ninguém e que não é atendido.

O bom de ser uma pessoa “low profile” é que você pode ouvir atentamente esse tipo de conversa para ter em suas mãos um termômetro de como anda a política nos seus bastidores e os outros nem sabem quem você é. Este repórter não tem muito o hábito de ficar se aparecendo na esquina do pecado onde está o repaginado Café Dona Júlia, mas ainda mantém suas fontes e seus olhos bem abertos.

Do que ouvi só posso deduzir uma coisa: a base (des)aliada parece andar descontente com o tratamento que vem recebendo do Paço Municipal. Eles gostariam de ser atendidos, recebidos no Paço, pelo menos ouvidos. Sabe como é, político gosta de diálogo, conversa, para poder entender o que está acontecendo e hipotecar seu apoio para a administração em questão. Se os vereadores são tratados friamente, como parece (eu disse “parece”) que anda acontecendo a chiadeira tende a aumentar.

Se a temperatura subir, os articuladores políticos do Legislativo terão que entrar em ação para tentar colocar o trem no seu rumo. Afinal de contas, vereador que não é ouvido simplesmente também pode não “ouvir” o Executivo em determinadas votações no plenário e o prefeito pode passar por apuros.

Ademais, o prefeito Netto Donato precisa entender que dentre aqueles que posam como seus mais diletos amigos e apoiadores há gente que muda de posição como nuvem. O doutor Edson Fermiano sempre me ensinou que na política muita coisa pode mudar rapidamente: “Feio é não ter ideia para mudar”, diz o Vai Bem (apelido de Fermiano).

Portanto, se Netto não melhorar sua interlocução com vereadores, justamente neste início de mandato, poderá cometer um pecado que será um pouco mais complicado de pedir perdão no futuro. A política é a arte do diálogo e da esperança e conversar, atender e entender quem lhe apoiou faz parte do jogo.

Renato Chimirri