
São Carlos recebe no dia 13 de março mais uma edição do evento “Ciência por elas. Para elas. Com elas.” A convidada é a bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, docente e chefe do Laboratório de Biologia da Matriz Extracelular do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ. O evento será gratuito e terá cronograma divulgado em breve, mas a reportagem apurou que o evento ocorrerá no auditório Sergio Mascarenhas, da USP.
Com trajetória consolidada na área de neurociência e regeneração tecidual, a pesquisadora lidera uma linha de investigação que pode redefinir o tratamento de lesões medulares no país. Há mais de duas décadas, ela se dedica ao estudo da polilaminina, composto desenvolvido em laboratório a partir da laminina, proteína naturalmente presente no organismo humano.
Da bancada ao ensaio clínico
O trabalho, iniciado em 1997, alcançou recentemente um marco relevante. Após anos de experimentação e validação científica, a formulação resultou em um medicamento totalmente desenvolvido no Brasil, autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a iniciar a fase 1 de testes clínicos em humanos.
A substância atua como uma estrutura de suporte para as células nervosas, favorecendo a reconexão entre neurônios e estimulando processos de regeneração. Em estudos preliminares, oito pacientes com paraplegia e tetraplegia receberam a aplicação experimental. Seis apresentaram recuperação de movimentos. Em um dos casos, um paciente antes paralisado do ombro para baixo voltou a caminhar sem auxílio.
Próximos passos do trabalho da professora Tatiana Sampaio
Nesta etapa inicial aprovada pela Anvisa, cinco pacientes com lesão medular completa receberão dose única do medicamento até 48 horas após o trauma. O acompanhamento será feito por seis meses, com foco na segurança e na identificação de possíveis reações adversas. Somente após essa fase, caso os resultados sejam satisfatórios, o estudo avançará para a análise da eficácia terapêutica.
Protagonismo feminino e ciência nacional
O trabalho coordenado por Tatiana Sampaio destaca-se não apenas pelo potencial impacto clínico, mas também por representar uma pesquisa pioneira e integralmente nacional. A iniciativa reforça a capacidade da ciência brasileira de produzir inovação em áreas de alta complexidade e amplia as perspectivas para a reabilitação de pessoas com lesões graves na medula espinhal.
A palestra em São Carlos promete reunir estudantes, pesquisadores e interessados em ciência, evidenciando o protagonismo feminino na produção de conhecimento e o papel estratégico da pesquisa para o avanço da saúde pública no país.
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