O bolo da Paróquia São Miguel Arcanjo e as mãos que sustentam uma comunidade

A fé em São Miguel Arcanjo: paróquia tem várias atividades e um delicioso bolo
A fé em São Miguel Arcanjo: paróquia tem várias atividades e um delicioso bolo

Há coisas que não cabem no preço. O pedaço do bolo custa R$ 12. Está ali, cuidadosamente colocado na embalagem, generoso, coberto de doce, com aquela aparência que imediatamente denuncia uma receita feita para agradar. É o bolo de São Miguel Arcanjo, vendido nesta terça-feira, 29 de setembro, na paróquia dedicada ao santo, no Jardim Tangará, em São Carlos.

Mas quem olha apenas para o bolo perde a melhor parte da história.

Porque antes dele chegar ao balcão houve mãos.

Mãos que separaram ingredientes, prepararam a massa, mexeram recheios, organizaram embalagens, limparam mesas e fizeram contas. Mãos que provavelmente já trabalharam muito durante a vida e que, mesmo assim, encontraram disposição para trabalhar mais um pouco pela igreja.

E há as senhoras da comunidade.

Elas estão lá vendendo o bolo como tantas mulheres fazem há décadas nas paróquias brasileiras: sem palco, sem holofote e, muitas vezes, sem sequer perceber a importância do que fazem.

— Vai levar um pedaço?

E nessa pergunta aparentemente tão simples mora uma parte enorme da vida comunitária.

Quem compra leva bolo. Mas também ajuda a manter uma história construída por gente que acredita que uma paróquia não é feita apenas de paredes, altar, bancos e imagens. Uma igreja também é feita do café passado nos fundos, das conversas depois da missa, das festas, das quermesses, das rifas, dos bolos e das pessoas que chegam primeiro e vão embora por último.

Hoje elas chegaram cedo.

Muito cedo.

A programação do Dia de São Miguel Arcanjo começou às 5 horas da manhã, com a primeira missa. Depois veio a celebração das 11 horas. Ainda haverá missa às 15 horas e, encerrando o dia dedicado ao padroeiro, às 19h30.

Enquanto fiéis entram e saem da Igreja Matriz São Miguel Arcanjo, no Jardim Tangará, a comunidade trabalha.

Uns cuidam da liturgia. Outros organizam o espaço. Há quem receba as pessoas, quem resolva aquilo que ninguém percebe que precisava ser resolvido e, claro, quem fique responsável pelo bolo.

É uma pequena engrenagem movida muito mais pela boa vontade do que por qualquer outra coisa.

Talvez esteja justamente aí uma das imagens mais bonitas deste 29 de setembro.

São Miguel, na tradição cristã, é representado como o grande guerreiro, espada em punho, enfrentando o mal. Uma imagem grandiosa, poderosa.

Mas a fé cotidiana quase nunca é grandiosa.

Ela costuma aparecer em gestos pequenos.

Pode estar numa senhora atrás de uma mesa, oferecendo um pedaço de bolo por R$ 12. Pode estar em alguém que acordou antes das cinco para abrir a igreja. Em quem varreu o chão. Em quem preparou a celebração. Em quem passou horas na cozinha. Em quem simplesmente apareceu para ajudar.

Nenhum desses nomes provavelmente estará escrito na fachada da igreja.

E talvez nem precise.

Porque comunidades são construídas justamente por essas pessoas que fazem muito sem perguntar quem ficará sabendo.

Hoje é dia de São Miguel Arcanjo.

Dia de celebrar o padroeiro, participar das missas e renovar a fé.

Mas também é um bom dia para olhar para os lados.

Para enxergar aquelas senhoras atrás do balcão. Os voluntários correndo de um lado para outro. Os padres, ministros, equipes pastorais e tantas pessoas que fazem daquela igreja muito mais do que um edifício no Jardim Tangará.

E, claro, para comprar o bolo.

Porque são R$ 12 pelo pedaço.

O trabalho colocado dentro dele, porém, vale muito mais.

Serviço — Dia de São Miguel Arcanjo
As celebrações acontecem nesta terça-feira, 29 de setembro, na Igreja Matriz São Miguel Arcanjo, na Rua Antônio Gilgiote, 285, Jardim Tangará, em São Carlos. Depois das missas das 5h e 11h, ainda haverá celebrações às 15h e 19h30.

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