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MPF recorre para que concessionária reduza poluição sonora causada por buzina de trens em São Carlos

MPF recorre para que concessionária reduza poluição sonora causada por buzina de trens em São Carlos

MPF recorre para que concessionária reduza poluição sonora causada por buzina de trens em São Carlos

O Ministério Público Federal (MPF) entrou com recurso para que a concessionária Rumo Malha Paulista adote medidas imediatas para reduzir a poluição sonora causada pela buzina dos trens no perímetro urbano dos municípios de São Carlos e Ibaté (SP). Moradores do entorno da linha férrea têm convivido com níveis de ruído muito mais altos do que os permitidos devido ao uso indiscriminado dos equipamentos, inclusive durante a noite. O desrespeito ao sossego e à saúde da população levou o MPF a entrar com uma ação civil pública para solucionar o problema.

Em agosto, a empresa foi condenada a tomar providências, porém a sentença da Justiça Federal determinou a adoção das medidas apenas após a conclusão do processo – o chamado trânsito em julgado. Agora, o MPF busca a execução imediata das obrigações, para evitar que a poluição sonora se mantenha por anos a fio durante a tramitação dos recursos. “Cada dia de atraso representa noites de sono interrompidas e adoecimento crônico da população lindeira de São Carlos e Ibaté”, destaca o procurador da República José Rubens Plates, autor da ação.

O excesso de ruído causado pelas buzinas dos trens vem sendo denunciado há mais de uma década. O inquérito aberto pelo MPF registrou cerca de 4 mil reclamações de moradores. Ao longo do processo, relatou-se, inclusive, o agravamento da poluição sonora devido à inclusão de uma nova linha férrea. Segundo parecer técnico da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), os níveis de barulho durante a passagem das composições ferroviárias em São Carlos, mesmo sem o acionamento das buzinas, já chegam a 67,6 dB durante o dia e 63,2 dB à noite, ultrapassando os limites permitidos pela estatal de 65 dB e 60 dB.

Medidas para mitigar barulho da buzina

Para reduzir os ruídos causados pela operação dos trens, a Justiça Federal atendeu a pedidos do MPF e determinou que a Rumo Malha Paulista instale barreiras acústicas em pontos críticos dos dois municípios. Já para amenizar a poluição sonora provocada pelas buzinas, o Poder Judiciário ordenou a substituição de algumas passagens em nível por viadutos e a desativação de todas as passagens de pedestres, que deverão ser transformadas em passarelas. O objetivo é preservar o direito fundamental ao sossego e à saúde sem comprometer a segurança ferroviária.

“Se uma passarela ou um viaduto eliminam a necessidade de acionamento da buzina em um ponto de cruzamento, essa medida deve ser adotada, ainda que mais custosa, pois protege simultaneamente a segurança de quem cruza a linha e o direito à saúde da população lindeira. O custo da externalidade negativa (ruído) não pode ser indefinidamente transferido à comunidade”, explica a sentença da 1ª Vara Federal de São Carlos.

Além disso, a concessionária deverá adequar o seu Regulamento Operacional para restringir o acionamento das buzinas a situações de risco concreto e imediato; limitar a intensidade e duração dos toques; e suspender o uso dos equipamentos em passagens com passarelas entre 20h e 7h. A decisão também determina obrigações à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) e ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), que deverão analisar, aprovar e fiscalizar os projetos apresentados pela Rumo. Caberá ao órgão ambiental exercer de forma efetiva seu poder de polícia para coibir o descumprimento das medidas.

Caso a execução imediata das obras não seja determinada pela Justiça, o recurso do MPF pede que, pelo menos, sejam logo cumpridas as obrigações de caráter administrativo, como a identificação de passagens irregulares, a elaboração de projetos de engenharia, a apresentação de cronogramas e as alterações do Regulamento Operacional.

Ação Civil Pública nº 5001264-90.2024.4.03.6115
Consulta processual

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