Casos de COVID em escolas de São Carlos dão medo em professores

Soube que mais professores da escola Marivaldo Carlos Degan tiveram teste positivo para a COVID-19 e isso só comprova aquilo que temos defendido há tempos: sem a vacinação em massa de todos os profissionais da educação e também dos alunos não é possível abrir escolas. Por mais que venham com conceitos que se dizem modernos, que a escola presencial é importante (e sabemos que é), o momento brasileiro ainda não permite que tenhamos as escolas funcionando.

Há perigo, pois a COVID é invisível e imprevisível, uma pessoa contaminada pode não ter os sintomas, mas e se ela transmitir o vírus para outra pessoa e a mesma se transformar num paciente grave? Todos sabemos que temos amplas dificuldades com leitos de UTI em todos os locais, basta olhar a situação de São Carlos onde uma mulher morreu ontem no ginásio Milton Olaio. Ela estava à espera de um leito. Triste, né?

Não venham dizer que todos os protocolos estão sendo cumpridos nas escolas, pois sabemos que não há protocolo suficiente que evite a transmissão do vírus. O correto em toda essa situação e em todos os setores profissionais seria as esferas de governo se mobilizarem por um auxílio emergencial decente, pelo lockdown e também pelo avanço mais rápido da vacinação. Com a vacina, poderíamos fazer como nos EUA onde em alguns locais máscaras estão sendo abolidas e já temos eventos com presença de público para pessoas que estão vacinadas.

Mas por enquanto, este não é o caso do Brasil (onde um presidente sem noção chama de idiota quem tem cuidados contra o vírus) e diversos professores com quem conversei estão realmente com medo, até porque a vacinação não chegou para todos os profissionais neste momento.

É preciso parar de fazer política durante a pandemia e olhar diretamente para a questão sanitária. Aulas em escolas significam circulação de pessoas, o Estado tem que achar um método de garantir a segurança alimentar dos alunos mais carentes, mas fazer aulas com a presença de alunos não é o ideal para um país que numa projeção recente de pesquisadores pode chegar até 750 mil mortos por COVID.

O governo Doria com suas aberturas e fechamentos sanfonas do Estado comete equívocos nessa pandemia, o maior acerto foi a vacina, porém ela não está disponível, ainda, para todos e com isso não é possível retomar atividades com grande aglomeração. As aulas são o maior exemplo disso e as contaminações em São Carlos estão ocorrendo. Não adianta tapar o sol com a peneira.

Renato Chimirri