A catedral que nunca foi construída: conheça a história do projeto que dividiu São Carlos há 90 anos

A catedral que nunca foi construída: conheça a história do projeto que dividiu São Carlos há 90 anos
A catedral que nunca foi construída: conheça a história do projeto que dividiu São Carlos há 90 anos

Uma curiosidade histórica de São Carlos revela que a Catedral da cidade poderia ter sido construída em um endereço completamente diferente daquele que conhecemos atualmente. Segundo informações divulgadas pela Fundação Pró-Memória de São Carlos, em 1936, há 90 anos, existiu um projeto para erguer uma nova Catedral em um terreno na entrada da Vila Pureza, na região da Avenida Carlos Botelho. A proposta chegou a ser aprovada pela Câmara Municipal e teve até a bênção da pedra fundamental, mas nunca saiu do papel.

Na época, a cidade contava com uma Catedral antiga e relativamente pequena, localizada na Avenida São Carlos. Diante da necessidade de ampliar a capacidade do templo para receber os fiéis, o então bispo coadjutor Dom Gastão decidiu trabalhar pela construção de uma nova igreja.

A ideia era erguer um edifício religioso em um terreno delimitado pelas ruas Carlos Botelho, Aquidaban, São Sebastião e Riachuelo, em uma região que começava a ganhar importância no desenvolvimento urbano de São Carlos.

Projeto da nova Catedral foi aprovado em 1936

A iniciativa avançou inicialmente com respaldo institucional.

Em setembro de 1936, o jornal O Correio de São Carlos publicou informações sobre a aprovação do projeto de construção pela Câmara Municipal.

Dois meses depois, em novembro, os jornais da época noticiaram a bênção da pedra fundamental da futura Catedral, cerimônia que simbolizava a preparação para o início das obras.

Tudo indicava que São Carlos ganharia um novo templo religioso no alto da Avenida Carlos Botelho.

Entretanto, havia um problema que se tornaria decisivo: a localização escolhida não correspondia ao desejo de grande parte da população.

População queria a Catedral na Avenida São Carlos

De acordo com o levantamento histórico da Fundação Pró-Memória, a maioria dos moradores defendia que a nova Catedral fosse construída no mesmo local da antiga, na Avenida São Carlos.

Dom Gastão, porém, havia escolhido a região da Vila Pureza para receber o empreendimento.

A divergência provocou discussões e diferentes manifestações de opinião na cidade, retardando o início da construção.

O que parecia ser apenas uma decisão sobre o endereço de um edifício religioso acabou se transformando em um impasse sobre a localização de um dos principais símbolos de São Carlos.

Segunda Guerra Mundial e morte do bispo enfraqueceram o projeto

Enquanto as discussões se prolongavam, acontecimentos históricos contribuíram para mudar os planos.

Em 1939, teve início a Segunda Guerra Mundial, conflito que alterou profundamente o cenário internacional.

Dom Gastão, que havia assumido como bispo de São Carlos em 1937, após a morte de Dom José Marcondes Homem de Melo, faleceu em 24 de outubro de 1945.

Com sua morte, a proposta de construir a Catedral no alto da Avenida Carlos Botelho perdeu ainda mais força.

A ideia acabou sendo abandonada, apesar de todos os preparativos realizados quase uma década antes.

Catedral foi construída onde a população desejava

Anos depois, a construção de um novo templo finalmente começou, mas não no terreno escolhido originalmente por Dom Gastão.

A nova Catedral passou a ser erguida na Avenida São Carlos, no mesmo local da antiga igreja, atendendo à preferência popular manifestada durante as discussões da década de 1930.

A história revela um episódio pouco conhecido do desenvolvimento urbano e religioso do município: São Carlos chegou a ter um projeto aprovado e uma pedra fundamental abençoada para uma Catedral que jamais seria construída naquele endereço.

O registro preservado pela Fundação Pró-Memória, com referência a uma reportagem de capa do antigo jornal Correio de São Carlos, ajuda a recuperar esse capítulo da história são-carlense.

A CATEDRAL QUE NÃO FOI

No ano de 1936, o então bispo coadjutor de São Carlos, Dom Gastão (ascendeu a bispo em 1937, com a morte de D. José Marcondes Homem de Melo) empenhou-se em construir uma nova catedral na cidade, para abrigar mais pessoas, em relação a pequena e antiga Catedral na Avenida São Carlos.

O local escolhido para a construção foi um terreno localizado entre as ruas Carlos Botelho, Aquidaban, São Sebastião e Riachuelo, na entrada da Vila Pureza. O projeto de construção foi aprovado pela Câmara, como consta no jornal “O Correio de São Carlos”, em setembro de 1936. Em novembro do mesmo ano, os jornais noticiaram a benção da pedra fundamental da nova Catedral, ficando tudo preparado para o início da obra.

Entretanto, Dom Gastão havia ignorado a vontade da maioria das pessoas da cidade, que queriam a construção da Catedral no mesmo lugar da antiga, na Avenida São Carlos. Isto fez que, com uma série de palpites e discussões fossem gerados, retardando o começo das obras. Com o início da Segunda Guerra Mundial em 1939 e o falecimento de Dom Gastão em 24 de outubro de 1945, a ideia de construir uma Catedral no alto da Avenida Carlos Botelho foi perdendo força.

Anos depois, um novo templo começou a ser erigido, então, na Avenida São Carlos, de acordo com a vontade popular.

Imagem de uma reportagem de capa, no jornal Correio de São Carlos. Acervo APH-FPMSC.

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