Causa da Morte: tenha carinho e respeite o que você não sabe

Quando uma nota de falecimento é publicada, a notícia costuma gerar um misto de sentimentos. Entre a dor da perda e as manifestações de solidariedade, surge uma curiosidade quase automática: “De que essa pessoa morreu?”. A pergunta, embora compreensível em sua essência, muitas vezes ultrapassa o limite do respeito e se transforma em algo invasivo.

É natural querer entender o motivo de uma morte, especialmente quando se trata de alguém jovem, conhecido ou de figura pública. Mas a forma como essa curiosidade é manifestada pode ferir ainda mais aqueles que já estão fragilizados pelo luto. Existem maneiras de perguntar com descrição, educação e sensibilidade, sem transformar a situação em um interrogatório ou em um ato de julgamento.

O que infelizmente se vê, em muitos casos, é o contrário: pessoas inconvenientes, que não se contentam com o silêncio da família e chegam a criar hipóteses, espalhar comentários ou até mesmo julgar quem partiu. Julgam a vida que a pessoa levou, julgam a família por não divulgar detalhes e, com isso, acabam desrespeitando a memória de quem se foi.

É preciso entender que o momento da morte pertence primeiramente àqueles que choram a perda. Não importa a causa, não importa o motivo: a dor é real e merece acolhimento. O que levou alguém a falecer, seja doença, acidente ou qualquer outra circunstância, não diminui a importância de sua vida, nem deve servir como combustível para a curiosidade desmedida.

Sensibilidade é a palavra-chave. Saber respeitar o silêncio e compreender que nem tudo precisa ser revelado é um exercício de humanidade. O falecido merece ser lembrado por sua história, por suas relações, pelos momentos que deixou na memória de quem ficou. E a família merece viver o luto com dignidade, sem ser pressionada ou julgada.

Respeitar o que não se sabe é também respeitar a pessoa que partiu. Afinal, a morte já traz dor suficiente; não há necessidade de acrescentar a ela a crueldade da curiosidade desrespeitosa.