Passou da hora de olhar para a comunidade do CDHU de São Carlos

Morador demonstra preocupação com estrutura de prédio do CDHU
Morador demonstra preocupação com estrutura de prédio do CDHU

Mostrar como estão os prédios do CDHU em sua estrutura é como acessar o coração desses condomínios. Uma estrutura deteriorada, com rachaduras visíveis e, segundo relatos de moradores, locais onde chega a passar um braço, evidencia que falhamos enquanto sociedade no cuidado e no zelo por esse espaço.

O adágio bíblico que diz que muitas vezes enxergamos o cisco no olho do outro, mas não percebemos a trave no nosso, se aplica a quem insiste em olhar para o CDHU de São Carlos apenas pelo viés do preconceito. “Ah, mas no CDHU tem um monte de problemas!”. Tem? Tem, sim. Mas em condomínios de alto padrão também existem problemas. Erros não escolhem classe social; eles simplesmente acontecem. A diferença é que, onde há maior vulnerabilidade social e ausência do Estado por meio de políticas públicas eficazes, o sofrimento tende a ser ainda maior.

Mostrar como estão os prédios do CDHU em sua estrutura é como acessar o coração desses condomínios. Uma estrutura deteriorada, com rachaduras visíveis e, segundo relatos de moradores, locais onde chega a passar um braço, evidencia que falhamos enquanto sociedade no cuidado e no zelo por esse espaço.

Há quem diga que a responsabilidade pela conservação é dos moradores. Do ponto de vista legal, esse argumento pode até existir. No entanto, é preciso considerar que muitas famílias não têm condições financeiras de arcar com os custos necessários para manter ou recuperar a estrutura. Outro relato que chama atenção é o de que alguns extintores de incêndio estariam vencidos, o que representa um risco sério à segurança.

Também há informações de que, em determinados blocos, os prédios chegam a balançar mesmo quando o trem não passa nas proximidades. Só isso já seria motivo suficiente para uma vistoria técnica detalhada. Afinal, gostem ou não, ali vivem pessoas. Ali estão famílias, estudantes, operários, trabalhadoras, empreendedores, crianças, mulheres e idosos. Dá para dimensionar a diversidade social que habita o CDHU?

É preciso que o são-carlense de classe média ou alta saia do seu “mundinho” e procure entender o que realmente acontece nesse condomínio. Diante de problemas estruturais evidentes, com rachaduras e partes deterioradas, como mostrado em vídeo por um internauta, torna-se urgente que medidas concretas sejam adotadas.

A classe política também precisa se mobilizar. Não é aceitável lembrar do CDHU apenas em períodos eleitorais, quando candidatos aparecem para pedir votos e depois desaparecem. As pessoas, em sua maioria, querem apenas viver com dignidade.

Vale sempre lembrar: todos são iguais perante a lei. Portanto, os moradores do CDHU merecem, no mínimo, viver em prédios seguros.

Renato Chimirri

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