Cirilo Braga explica o amor do são-carlense pela região do Mercado Municipal

Panorâmica do Mercadão

Por Cirilo Braga

O tempo rodou num instante…Desde o verão de 1972, quando vim morar em São Carlos aos nove anos, sempre gostei daquele pedaço da cidade, o entorno do mercado municipal, cuja nova versão havia sido inaugurada pelo prefeito Massei apenas quatro anos antes.

Não há como viver em São Carlos e não desenvolver um laço afetivo com esse lugar. Gosto dali desde quando pela primeira vez ingressei no “mercadão” pelo túnel da Praça dos Voluntários e via novidade em transpor a Avenida pelo subterrâneo.

Vindo de uma cidade cortada por um rio, soava-me estranho que houvesse um córrego envolto em pedras, tão desprezado entre uma enchente e outra. Rios e córregos são símbolos de vida e signos da poesia no correr contínuo de suas águas. As do Gregório brotadas numa fazenda chamada “Recanto Feliz” a 900 m de altitude, correm para o oeste viajando sete quilômetros até a sua foz no Monjolinho. Eu não sabia disso ao saborear as visitas ao  “mercadão” à sua margem, o “point” de todos os aromas: de frutas, de flores, de tabaco, de peixes. O lugar em torno do qual se falava em construir no futuro um “camelódromo” e mais no futuro ainda um moderno terminal de integração do sistema de ônibus.

Importava o presente. Jogar bola no “terreno da Cica”, juntar moedinhas para comprar biscoitos por quilo na Cooperativa de Consumo, negociar telas de arame na loja de produtos agrícolas, para depois simular redes de um gol no quintal de casa, acompanhar meu pai na fila do açougue e dar uma moedinha “pelo amor de Deus” para o “João Babão”. Contemplar o “Bonde da Saudade” estacionado na praça da piscina municipal, então aberta ao público, e anos adiante presenciar as obras da “avenida marginal”.

Fotos: Arquivo Digital FPMSC