Cobrar pedágio dos moradores do Aporá de São Fernando é uma vergonha

Pedágio na SP 318/Maurício Duch

Instalar um pedágio na rodovia Thales de Lorena Peixoto Jr (SP 318) que liga São Carlos até Ribeirão Preto foi algo injustificável. Primeiro porque a rodovia na maior parte do seu trajeto é simples, perigosa e o único trecho que foi duplicado pelo governo estadual é pequeno e demorou anos para ficar pronto. A rodovia foi “concedida” pelo Estado para a iniciativa privada e a primeira coisa que fizeram no local foi colocar uma “praça de arrecadação” como gostam de dizer alguns técnicos no assunto.

Com isso, o são-carlense paga pedágio na SP 318 e depois ainda é obrigado a pagar um pedágio exorbitante poucos quilômetros à frente do seu destino quando chega em Guatapará. Até hoje, o governo estadual não deu uma justificativa plausível para termos duas praças de pedágio num trajeto tão curto, ao contrário, ouviu-se a promessa de redução da tarifa em Guatapará, mas até agora tudo não passou de conversa.

A SP 318 já foi palco de horripilantes acidentes automobilísticos muitas vidas padeceram naquele local e por mais que a imprensa cobrasse qualquer ação, a primeira que realmente trouxe impacto foi o pedágio.

Com isso, quem mora, por exemplo, no Aporá de São Fernando é obrigado a pagar pedágio toda a vez que vem para a cidade, o que moralmente é lamentável, pois essas pessoas residem num local que tem pouca estrutura e ainda por cima tudo o que precisam fazer está no perímetro urbano de São Carlos. Recentemente, a justiça determinou a volta da cobrança das tarifas dos moradores e os próprios dizem que quem reside ali é idoso e precisa sempre, por exemplo, ir ao médico, ao mercado, ao dentista e toda a vez precisa pagar pedágio para fazer qualquer coisa em São Carlos.

A pergunta que fica em toda essa situação é a seguinte: até quando essa vergonha perdurará? Será que a concessionária ficará mais pobre se isentar esses moradores da cobrança de pedágio? Será que a concessionária não tem dinheiro suficiente para fazer um levantamento e ver quem realmente mora por ali e precisa trabalhar e realizar outros afazeres em São Carlos e com isso isentá-los da cobrança?

A sanha capitalista que notamos nesta questão nos deixa atônitos, primeiro porque nenhum são-carlense deveria ser obrigado a pagar dois pedágios caríssimos para ir até Ribeirão Preto, depois que a estrada já deveria ser duplicada há tempos, bem antes de ser concedida e cantada em verso e prosa como uma grande iniciativa do governo estadual.

Enquanto isso, quem sofre são os moradores do Aporá de São Fernando e das redondezas, gente humilde que com muito custo conseguiu ter sua residência e que busca um pouco de sossego, mas que agora é atormentada diariamente por uma cobrança, ao nosso ver, extremamente injustiça. Os governos deveriam ter a sensibilidade de fazer justiça aos mais necessitados e não apenas querer cobrar algo que todo mundo sabe que no momento prejudica famílias.

Renato Chimirri