
Quem cultiva colar-de-pérolas sabe que poucos minutos de desatenção podem transformar uma planta escultural em um arranjo murcho e sem vida. Essa suculenta delicada, que chama atenção pelos ramos pendentes cheios de bolinhas verdes, pode começar a perder vigor de um dia para o outro — e, muitas vezes, a culpa está em um erro de rega cometido por hábito, não por descuido.
O erro de rega que desestabiliza o colar-de-pérolas
Ao contrário do que muitos pensam, o colar-de-pérolas não sofre apenas com a falta d’água. Na maioria das vezes, o colapso repentino dos ramos está ligado ao excesso de rega, principalmente quando feito com frequência regular, como se fosse uma planta tropical. E o problema se agrava quando a água fica acumulada no fundo do vaso.
Por ser uma suculenta de raízes sensíveis e crescimento rasteiro, essa planta reage mal à umidade constante. As pérolas começam a enrugar e cair porque a raiz já está sendo sufocada, sem oxigênio suficiente para manter a circulação da seiva. A aparência ainda pode enganar por alguns dias, até que o colapso aconteça de forma abrupta — um alerta silencioso que muita gente só percebe tarde demais.
Como o substrato pode piorar (ou salvar) a situação
A escolha do substrato é um fator decisivo para a saúde do colar-de-pérolas. Se ele for muito compacto, reterá água por tempo demais, criando um ambiente perfeito para fungos e apodrecimento radicular. Infelizmente, isso é comum quando se usa terra vegetal pura ou substrato universal sem misturas.
O ideal é adotar uma mistura própria para suculentas, com boa drenagem, composta por terra, areia grossa e perlita. A leveza do solo permite que a água escorra rapidamente, evitando que as raízes fiquem submersas. Vasos de barro ajudam a manter o equilíbrio, pois absorvem parte da umidade e “respiram” melhor do que os modelos de plástico.
A dica de ouro: como regar sem erro
A regra que funciona melhor para o colar-de-pérolas é simples: só regue quando o substrato estiver completamente seco. Isso pode significar regar uma vez por semana no verão e apenas a cada 15 ou 20 dias no inverno, dependendo da região e da ventilação do ambiente.
E tem mais um detalhe: nunca molhe as folhas diretamente. A água acumulada entre as pérolas pode provocar manchas e favorecer o apodrecimento dos ramos. O melhor método é regar pelas bordas ou por imersão, colocando o vaso dentro de uma bacia com água e deixando o substrato absorver por baixo, por cerca de 10 minutos. Depois disso, é essencial deixar escorrer todo o excesso.
O que observar antes que os ramos comecem a cair
Alguns sinais sutis ajudam a perceber que a planta está com problemas antes de o colapso acontecer. Se as pérolas começarem a murchar, enrugar ou escurecer nas pontas, pode ser um indicativo de excesso ou falta d’água. O toque é o seu melhor aliado: se o substrato estiver seco ao afundar o dedo até a segunda falange, é hora de regar. Caso contrário, é melhor esperar.
Outra dica importante é verificar o peso do vaso. Plantas com solo muito úmido costumam ficar mais pesadas do que o normal. Se você notar um aumento repentino no peso, mesmo sem ter regado recentemente, vale a pena checar a drenagem e as condições do substrato.
Quando o erro já aconteceu: tem como salvar?
Se os ramos já estão murchando ou caindo, o primeiro passo é tirar o colar-de-pérolas do vaso e examinar as raízes. Retire com cuidado o excesso de terra e corte qualquer raiz preta, mole ou com cheiro ruim. Deixe as raízes secarem por 24h em local sombreado e replante em um substrato seco e bem drenante.
Evite regar nos primeiros dias após o replantio. Deixe a planta se recuperar e voltar a criar raízes saudáveis. Se sobrar algum ramo intacto, você pode fazer novas mudas: basta cortar com uma tesoura limpa e colocar o galhinho sobre o substrato, pressionando levemente. As raízes surgem sozinhas em cerca de 10 dias.
Mais luz, menos umidade: a combinação que fortalece
Além da rega correta, o colar-de-pérolas precisa de boa luminosidade para se desenvolver. Embora tolere meia sombra, ele floresce — literalmente — quando recebe sol direto suave por algumas horas do dia. Ambientes muito escuros deixam os ramos alongados e frágeis, além de favorecer o acúmulo de umidade e o surgimento de fungos.
Se quiser um colar mais cheio e com crescimento vigoroso, prefira locais com boa ventilação e luz natural abundante, como varandas cobertas ou janelas bem iluminadas. O equilíbrio entre luz e umidade é o segredo para manter as pérolas verdes, firmes e em cascata.
Pequenos cuidados, grandes resultados
No fim das contas, cuidar de um colar-de-pérolas exige mais observação do que rotina. O erro de rega que faz os ramos caírem de repente não costuma vir de negligência, mas da tentativa de acertar. Entender o comportamento da planta, respeitar seus sinais e ajustar a frequência da rega ao ambiente é o que define o sucesso no cultivo.
E como toda suculenta, o colar-de-pérolas valoriza mais o “menos é mais”. Um olhar atento, uma escolha certa de substrato e o hábito de tocar a terra antes de agir já evitam 90% dos problemas.









