Agora é oficial: Collor lança pré-candidatura à presidência

Citando o filósofo alemão Arthur Shopenhauer: “O destino embaralha as cartas e nós jogamos”, Fernando Collor lançou sua pré-candidatura à presidência do Brasil ao pleito deste ano. O anúncio foi feito durante sessão do Congresso no dia de ontem (06) – o ex-presidente também é senador pelo Estado de Alagoas.

O senador é o único representante do PTC (Partido Trabalhista Cristão) no Congresso. A legenda não tem representantes na Câmara dos Deputados, mas Collor deve concorrer a presidência também pelo partido.

Durante seu discurso, o senador relembrou a época em que foi presidente e dos feitos realizados pelo Brasil. Para Collor, aquela época era desafiadora, com a nova constituição a “sociedade brasileira se mostrava ansiosa pelos novos tempos”.

Destacou o que foi realizado durante sua curta gestão de apenas dois anos e meio: a “mudança de paradigmas em todos os setores” e sua capacidade de “nortear os rumos do país”, a abertura econômica, a inclusão do país no processo de informatização, a preparação para o plano real (implantada pelo seu vice-presidente Itamar Franco), e o RIO 92.

Para Collor, durante seu governo, “a prática suplantou a teoria, os resultados superaram os discursos”. Assim, ele tem a convicção que sabe qual o melhor rumo para o Brasil. “Não mais precisamos de novas condenações ou de ultrapassadas versões para saudar um novo tempo, uma nova chance. O que importa agora é olhar adiante, confiante, e sobretudo, com grande otimismo”, declara o senador.

Sobre seu plano de governo, Collor ainda afirmou que o Brasil necessita “de um caminho que ainda não se abriu, mas aponta para um centro democrático, progressista e liberal, capaz de promover as mudanças demandadas pelo povo brasileiro. Um centro democrático que não se prenda a meros rótulos de esquerda e direita”.

O ex-presidente não citou seu impeachment, entretanto comentou que “o futuro ou mesmo o presente devem esclarecer os incidentes”. Completou ainda que “a atual convicção do espírito do povo brasileiro não mais incorrerá nos erros de avaliação, nascidos de uma ilusão ou de uma desilusão”.

IMPEACHMENT

Em meados de 1991, pouco mais de um ano após a posse de Collor, denúncias de irregularidades começaram a surgir na imprensa, envolvendo pessoas do círculo próximo do então presidente, como ministros, amigos do presidente e mesmo a primeira-dama Rosane Collor. Em entrevista à Revista Veja em maio de 1992, Pedro Collor de Mello, irmão do presidente, revelou o esquema de corrupção que envolvia o ex-tesoureiro da campanha Paulo César Farias, entre outros fatos comprometedores para o presidente.

No início de julho a Revista Isto É publicou ma matéria na qual Eriberto França, motorista da secretária de Collor, revela que ele próprio pagava as despesas pessoais do presidente com dinheiro de uma conta fantasma mantida por Paulo César Farias, reforçando a tese do irmão do presidente.

Em 29 de setembro, por 441 a 38 votos, a Câmara votou pelo impeachment do presidente. A presidência foi assumida no dia 2 de outubro pelo então vice-presidente, Itamar Franco. Em 29 de dezembro de 1992, Collor renunciou à presidência da República, horas antes de ser condenado pelo Senado por crime de responsabilidade, tendo seus direitos políticos suspensos por oito anos.

Foto: José Cruz/Agência Senado