Combustível caro gera onda de cancelamento de viagens por parte de motoristas de aplicativos em São Carlos

Motoristas: novas situações

A vida dos motoristas de aplicativos e transporte particular em São Carlos não tem sido fácil devido aos frequentes aumentos de combustíveis promovidos pelo Governo Federal. O motorista Diego Luviam, muito experiente na área, disse que no momento os profissionais  precisam “escolher as corridas”.  “Por conta disso, precisamos cancelar muitas corridas, uma chamada que for de 2 km que tivemos buscar um passageiro acabamos não aceitando, quando falo da gente, digo os motoristas que estão em vários grupos, conversamos entre nós e quando passa de 2 km recusamos uma atrás da outra, porque o combustível está muito caro”, diz.

Diego argumenta que fica impossível buscar um passageiro e andar de 3 a 4 km, para depois o mesmo viajar por um 1 km ou 2 km no carro. Ele argumenta que sistemas como da UBER ou da 99, aplicativos em que a maioria dos motoristas atuam, vem a chamada e a informação de quantos quilômetros o passageiro está do profissional. “Recebemos a chamada com essa informação e também o destino para onde ele vai, não temos a informação de quilometragem de onde ele está para onde o mesmo vai, por isso precisamos fazer uma base, já que o aplicativo lhe dá três bairros próximos, o aplicativo da UBER lhe dá três bairros próximos, não diz onde o cliente ficará, a 99 mostra exatamente para onde o cliente vai, se der 2 km aceitamos, senão temos que calcular rapidamente se a corrida compensará”, explica.

O motorista explica que o deslocamento para ir buscar o passageiro não é pago pelas empresas gerenciadoras do aplicativo, mas sim somente quando o passageiro ingressa no seu automóvel. “Esses dois km não são pagos em São Carlos, em Rio Claro há o deslocamento, a UBER e a 99 pagam para o motorista ir buscar o passageiro, dependendo da distância o incentivo é maior ainda”, conta.

Diego conta que quando estava rodando em Campinas apareceu um incentivo de R$ 20 para ele buscar um passageiro que estava exatamente a 20 km dele. “Lógico que numa cidade desse tamanho tem que fazer a conta para ver se compensa, mas em São Carlos não tem isso e assim somos obrigados a cancelar a corrida, tem locais onde o aplicativo deixa o motorista à deriva”, salienta.

Ele explicou que logo pela manhã quando começa a trabalhar, o aplicativo chama para uma corrida. “Se estou no Aracy, por exemplo, e sou chamado para ir ao Centro, temos que saber onde o passageiro ficará no Centro, pois a partir do momento que você está nessa região, acaba parado meia-hora e não recebe novas chamadas, pois na parte da manhã a maioria das chamadas é para levar uma pessoa de um bairro para a região central, ou seja, as pessoas vão trabalhar e o inverso ocorre no final do dia quando o comércio fecha, à tarde aparecem algumas corridas, você vai de um bairro para o outro, é um pingue-pongue”, comenta.

A demanda de cancelamentos de viagem em São Carlos está alta e Diego acredita que a tendência é piorar. “Vai piorar, porque os estudantes universitários não estão em sua maioria na cidade, eles ajudariam muito, pois aumenta a dinâmica de pagamento, quando há eventos como o Tusca essa dinâmica dobra em toda a cidade”, revela.

Diego explicou que a categoria está em luta para que a UBER passe a pagar o deslocamento em São Carlos, isso iria implicar em menos cancelamentos de corrida. Segundo ele, a UBER paga a mesma taxa para os profissionais desde quando o etanol estava a R$ 2,19, ou seja, os ganhos dos motoristas caíram consideravelmente. “Enquanto não mudar, os cancelamentos acontecerão, as pessoas, infelizmente, ficarão esperando meia-hora por um transporte, alguns passageiros optam por um particular, por pessoas que já conhecem e assim vai indo”, diz.

A alta dos combustíveis criou uma realidade de cancelamento de viagens e com isso quem está acostumado a usar o transporte por aplicativo acaba sendo obrigado a “se virar” de outra forma.

Por Renato Chimirri