Comportamento: Chato e mal humorado

Essa semana foi curiosa, por três vezes fui chamado de chato e mal humorado e isso fez com que refletisse sobre o meu próprio comportamento. Ser chato e mal humorado podem até denotar boas características nesta profissão, pois ninguém teme jornalista bonzinho e que sorri para todo mundo. Ao contrário, a pessoa lembra mesmo é daquele repórter que é chato, que enche o saco e que vai atrás da notícia de uma forma incansável. Esse é o chamado repórter “cri-cri”, aquele que não deixa passar nada. Não sei se sou assim em 100%, mas quando a notícia realmente me interessa vou até o fim para elucidar os casos.

Mas ser chamado  por três vezes de chato e mal humorado em sete dias acende um alerta vermelho em nossa mente: será que devemos modificar o comportamento que diariamente temos com as pessoas? Ou será que estamos apenas criando sombras em nossa própria cabeça para discutir esse tema? O fato é que nunca programo nada.

Hoje mesmo estive numa repartição pública e conversei com uma pessoa que depois disse que quando cheguei no local estava de mau humor e que isso foi mudando. Segundo ela, eu cheguei na sala reclamando da limpeza da cidade e depois fui ficando mais “simpático”. Acredito que a pessoa tenha mesmo razão, pode ser que eu estivesse mau humor, mas era justamente por ver que a cidade está mal cuidada, suja e cheia de buracos. Eu sou assim, deixo transparecer quando não gosto de algo. Mas para a minha própria defesa, não a tratei mal, ao contrário.

Contudo, o que me deixa preocupado é não saber quando estou de mau humor ou sendo chato, confesso que gostaria de ter a noção para poder mudar o comportamento e não se sentir diminuído quando alguém faz essa comparação, pois as chatices que eventualmente podem sair da minha boca não são propositais. Talvez ser chato, para muitas pessoas, seja opção inconsciente que acontece em função das inúmeras pressões da vida que nós abraçamos. Não sei se a explicação é convincente, todavia, pode ser um caminho.

Eu acredito que ninguém é chato porque quer ou porque simplesmente pretende ser com A, B ou C, porém é importante (estou começando a me convencer disso) que realmente precisamos ser alertados que estamos passando de determinado limite. Por mais inconveniente que seja, quando alguém de maneira séria ou em tom de brincadeira tenta lhe abrir o olho pode ser que essa seja sua chance de tentar mudar um comportamento desagradável.

Claro que é muito difícil, depois de 42 anos de existência, mudar radicalmente de uma hora para outra, entretanto não dá para ficar sendo chamado de chato a vida toda. Uma hora as pessoas precisam modificar seu patamar de vida.

Não é fácil, não é gostoso e também não é opção ser chato ou ter mau humor. Não é fácil acordar pela manhã e não querer falar com ninguém, esses são problemas que quando você os encara de frente entende que precisa buscar solução, talvez em ajuda especializada. Assim, a chatice e o mau humor podem ser uma espécie de “doença” e que talvez com força de vontade consigamos mudar ao longo do tempo. É preciso ter paciência e um pouco de coragem.

Renato Chimirri