A justiça determinou, na tarde de ontem, a libertação dos cinco suspeitos presos por envolvimento no esquartejamento de duas crianças em suposto ritual satânico. A juíza da Vara do Júri de Novo Hamburgo, Ângela Roberta Paps Dumerque, revogou, também, o mandado de prisão dos outros dois suspeitos considerados foragidos. A decisão foi tomada após o delegado titular da Delegacia de Homicídios de Novo Hamburgo, Rogério Baggio, descobrir que as testemunhas foram coagidas a mentir sobre o caso.
Em coletiva realizada na tarde de ontem, 7, Baggio afirmou que o depoimento das testemunhas foi dado com riqueza de detalhes, levando a investigação a seguir os traços indicados pela história que foi contada. Segundo o delegado, em troca de falso testemunho, foi oferecido moradia, alimentação e um valor mensal do Programa Protege, que dá assistência a testemunhas ameaçadas. Essa pessoa, que supostamente coagiu as testemunhas, foi presa preventivamente na manhã de ontem.
Outro fator que contribuiu para a decisão de soltura dos suspeitos é a falta de provas técnicas, como DNA das vítimas ou as cabeças das crianças, que ainda não foram encontradas. Desde o início das investigações, os advogados de defesa insistiam que a prisão dos suspeitos era equivocada, justamente por falta de provas.
À época do crime, o delegado substituto Moacir Fermino assumiu o caso e foi quem pediu a prisão dos sete suspeitos de envolvimento no esquartejamento. Em coletiva dada à imprensa no dia 8 de janeiro, Firmino disse ter tido uma “revelação divina” por meio de dois profetas para relacionar a morte das crianças aos acusados.
Após “revelação divina”, Firmino decretou a prisão do bruxo Sílvio Fernandes Rodrigues, do empresário Jair da Silva, Andrei Jorge da Silva, filho de Jair, e Márcio Miranda Brostolin, Anderson da Silva, outro filho de Jair, Paulo Ademir Norbeti da Silva, sócio de Jair e Jorge Adrian Alves, o argentino supostamente envolvido no crime.
Após a revelação de falso testemunho, o delegado substituto foi afastado do caso e sua conduta será investigada.
Delegado divulga nomes e detalha crime em ritual satânico em Lomba Grande
Foto de capa: Polícia Civil / Divulgação/ CP







